A ideia de considerar o grande epistemológico e psicólogo suíço educador poderia surpreender à primeira vista: de fato, como chamar de "educador" a Jean Piaget, que "Em matéria de pedagogia, não tenho opinião " (Bringuier, 1977 pgina. 194) ,e cujo os escritos sobre educação não ultrapassa 3% de sua obra?
A perplexidade pode ser totalmente justificada quando pensa exclusivamente na produção científica do próprio Piaget. Porém, torna-se menor quando se pensa no considerável número de obras de outros autores que se referem às implicações educacionais da obra piagetiana. De fato, há muitos anos, inúmeros educadores e pedagogos de diversos países se referem explicitamente à obra de Piaget para justificar suas práticas ou princípios. Mas trata-se sempre da mesma interpretação? Faz-se referência invarialmente à psicologia de Piaget, ou envocam-se outros aspectos de sua obra complexa e multiforme? A qual dos tão diversos "Piagets" devem-se as contribuições mais importantes: ao Piaget biólogo, ao epistemológico, ao psicólogo e ao filósofo, ou se está particularmente em dívida com "político " da educação __que é como se poderia qualificar o Piaget diretor do Bureau Internacional de Educação?
O combate de uma vida: a ciência
Comecemos pintando o pano de fundo. Figura típica de acadêmico "iluminado ", Jean Piaget lutou toda a sua vida contra as instituições e os preconceitos intelectuais de sua época __e,talvez, também,contra suas próprias preocupações espiritualistas e idealistas da juventude __para promover o enfoque científico.
Incitado por um pai "de espírito escrupuloso e crítico, que não gostava das generalizações apressadas ";iniciado muito cedo à precisão naturalista pelas mãos do malacólogo Paul Godet, diretor do Museu de História Natural de Neuchatel, sua cidade natal; lançado, ainda estudante, na arena da confrontação científica internacional ,em 1911, com idade de 15 anos, publica seus primeiros trabalhos em revistas de grande circulação. Piaget foi muito rapidamente seduzido pelo charme e pelo rigor da pesquisa científica. Escutemos suas próprias palavras:
"Esses estudos por que fossem, foram de grande utilidade para minha formação científica; além disso funcionaram, poderia dizer, como instrumentos de proteção contra o demônio da filosofia. Graças a eles, tive o raro privilégio de vislumbrar a ciência e o que ela representa antes de sofrer as crises filosóficas da adolescência. Ter tido a experiência precoce destes dois tipos de problemática construiu, estou convencido, o motivo secreto da minha atividade posterior em psicologia "
Assim, apesar deduas importantes "crises de adolescência ",uma religiosa e outra filosófica, Piaget chegou, progressivamente à convicção íntima de que o método científico era a única via de acesso legítima ao conhecimento, e que os métodos reflexivos ou introspectivo da tradição filosófica, no melhor dos casos, só podiam contribuir para elaborar certo tipo de conhecimento.
Essa convicção, cada vez mais forte, determinou as opções básicas que Piaget adotou até os anos 20 do século passado e que ele nunca mais modificou, seja no campo da psicologia que decidira estudar; seja no campo da política acadêmica que decidira defender ;seja, finalmente, no compromisso que aceitara enfrentar diante dos problemas da educação.
No que diz respeito à psicologia dizia : "Isso me fez adotar a decisão de consagrar minha vida à explicação biológica do conhecimento, abandonando, assim, após um interesse inicial, vinculando à sua própria experiência familiar, a psicanálise e a psicologia patológica.
Quando a seu trabalho de pesquisador e de professor universitário, a preocupação constante que estimulava e orientava sua obra e sua vida
Inteira foi a de conseguir o reconhecimento, em particular de seus colegas no campo das ciências físicas e naturais, de caráter também científico das ciências do homem mais especificamente da psicologia e epistemologia. Quando à sua atitude e seu engajamento no campo da educação, sua posição o levou naturalmente a reconhecer, desde o princípio de sua participação ativa como estudante, o caminho privilegiado para incorporar o método científico na escola.
O descobrimento da infância e da educação.
DESENVOLVIMENTO NA EDUCAÇÃO E LEITURA.
Desde os primórdios até hoje em dia a educação no conceito de linguagem e leitura surgiu como um dos métodos de organização: social, científica e cultural, pois para que possamos entender e aprofundar os conhecimentos na linguagem o contexto histórico mostra a sua essência na escrita _Podemos citar por exemplo a pré -história o homem molda a escrita com desenhos retirando a tinta da seiva de folhas ou sangue de animais, logo percebemos com o decorrer do tempo chineses e babilônios foram os primeiros povos a adotarem símbolos em sua linguagem, escrita e leitura de documentos e leis que constituíam os costumes e cultura das sociedades na babilônia por exemplo foi escrito no ano 825 d.C em Bagdá um exemplar matemático intitulado como : "Hisab al-jabr w'al muqabalah "em quanto na China a mais ou menos 3000 a.C foi escrito o primeiro livro considerado o pai de todos os livros por historiadores o I-Ching de Hexadrama escrito em capa dura e escrito a mão pelo Senhor ancião Fu Hsi que viveu entre (2500 -?2432 a.C ) acreditam alguns historiadores que Fu Hsi foi o patrono dos símbolos e caracteres. EDUCAÇÃO NOS DIAS ATUAIS A psicopedagogia moderna nos proporcionou ao longo dos séculos XX e XXI, uma forma organizada de conhecimento de leitura e escrita como também foi de suma importância para a organização da sociedade como deveres e afazeres, a educação de uma criança até a fase adulta se forma através de símbolos é escrita que permitem eficácia no desenvolvimento intelectual humano.
CONSTRUTIVISMO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA A FASE ADULTA PIAGET.
Uma das teorias mais importantes na educação a teoria do construtivismo, que surgiu no século XX, pelo biólogo e filósofo Suíço Jean Piaget observando o desenvolvimento físico,e psicológica da criança, Piaget observa a fase natural do desenvolvimento fisiológicos para a primeira fase da vida. A percepção do universo para a criança se baseiam nos cinco sentidos para os seres humanos: Ofato, paladar, Audição, Visão e tato às percepções são palpável a realidade universal de toda a natureza perceptíveis a uma criança em formação intelectual. Ao perceber o desenvolvimento da fala e manipulação de objetos observa-se que a criança está moldada para adquirir leitura e escrita no aprendizado da formação intelectual através de uma junção silábica de compreender a leitura se assemelhando-se com percepção natural. Por exemplo a palavra Ca-Cho-rro. ..se a palavra foi escrita em forma silábica e lida para a criança ela vai usar sua percepção natural das coisas por ter observado vários cachorros em seu cotidiano os primeiros caracteres são as letras, C,A,C,H,O,R,O,....com as letras memorizadas os símbolos são a percepção de forma de escrita adquirido pela criança. DESENHOS E SÍMBOLOS O filósofo Piaget, percebeu também que o desenvolvimento infantil de desenhar que as crianças têm na sua formação educacional de figuras uma percepção de linguagem de escrita ao desenhar paisagem, animais, pessoas e família, essa forma de arte manifesta o sentido de transmitir uma mensagem através de figuras ela escreveu suas emoções em uma simples folha de sulfite. Para Piaget a primeira manifestação de escrita é o desenho. DESENVOLVIMENTO DOS 4 AOS 16 ANOS. Aos 4 aos 16 anos o conhecimento dos símbolos numéricos geram estranheza nas crianças na fase de aprendizagem social que usam letras ou números a formação da linguagem através de símbolos é incentivar a formação de uma língua,palavra ou conjunções verbos e pronomes sujeitos ou predicados.,a formação neurolinguistica da criança é prepará-la para o desenvolvimento do intelecto,permitindo a integração na sociedade. O desenho a linguagem formal toma uma forma simples e eficaz que possibilita agora a interpretação de textos e a compreensão mais aguçados de livros de leitura a livros didáticos, ao preenchimento de uma ficha,ou a assinatura de um documento; as leis, livros,arte ,ciências e filosofia, nos propôs uma formação educacional avançada e eficaz na nossas vidas.
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Albert Einstein e a Teoria da relatividade.
Pouquíssimos entenderam a teoria da relatividade ,mas seu nome já contém o fator decesivo:de certa forma ,tudo é relativo. É o que basta para marcar o clima da época.O que se sabe é que a teoria da relatividade descartou todas as antigas certezas e criou uma nova decisão de mundo.E foi exatamente isso o que transformou o seu inventor;Albert Einstein, na figura da ciência e de pai da ciência e um substituto do amado Deus.Sem dúvida o que contribuiu para isso foi o fato de Einstein,com sua cabeça coberta por uma cabeleira branca desgrenhada e seu semblante de pessoa boa e inteligente parecer com o ícone da oniciencia divina. Mas do que se trata exatamente a teoria da relatividade?No âmbito específico (1905) e no geral,Albert Einstein revoluciona a forma de como entendemos o tempo e a percepção do espaço, Einstein atribuiu ao tempo um novo lugar dentro da nossa visão de mundo ao aproximá-lo mais do espaço e declará-lo a quarta dimensão (as primeiras três são a linha da superfície e o volume). O segredo para compreender essa revolução está na posição do observador. Até Einstein,o observador havia sido excluído da ciência justamente para impedir que os dados naturais fossem adulterados por pontos de vista subjetivos.Einstein resgata o observador e passa a observar apartir do seu ponto de vista.Estabelece a velocidade da luz como condição essencial para observação. Ela não pode ser excedida ,se não suas causas agiram mais rapidamente do que poderiam ser observadas.Em outras palavras ,a observação de todos os objetos requer tempo,quanto mais distantes estiverem ,tanto mais tempo será requerido.Uma estrela fica a um ano luz (distância que percorre 300000k/s) é vista como há um ano.Ou também podemos dizer:quando o vejo ,estou olhando para o passado.Isso destrói simultaneidade, que é extremamente rara.Vamos imaginar que eu esteja sentado em uma estrela que flutua exatamente no meio do caminho entre duas gêmeas; cada uma delas existe uma bomba atômica, aguardando ser detonada por um sinal do meu canhão de luz.Se eu apertar o botão, verei em menos de dez minutos uma explosão em ambas as estrelas;nesse caso vivência a simultaneidade, mas somente a partir dessa posição.Se eu programasse meu canhão de luz com um timer para ser acionado daqui duas horas e abandonasse minha estrela a bordo de uma nave espacial rumo a uma das duas estrelas gêmeas, depois de mais de duas horas de viagem ,veria uma das explosões antes da outra,embora ocorram "ao mesmo tempo" O termo "simultâneos é relativo e depende do ponto onde se encontra o observador.Sem essa referência, ele não tem sentido.
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Reflexão sobre o Poema Torneira Seca de José Paulo Paes
"A torneira seca (mas pior:a fala de sede) a luz apagada (mas pior: o gosto escuro) a porta fechada (mas pior: a chave de dentro). Este poema de José Paes nos fala ,de forma extremamente concentrada e precisa ,do núcleo da liberdade e de como podemos perceber a sua ausência.O poeta lança um contraponto entre uma situação externa experimentada como um dado como um fato (a torneira seca,a luz apagada,a porta fechada) é a inércia resignada no interior do sujeito (a falta de sede,o gosto do escuro,a chave de dentro).O contraponto é feito pela expressão "pior". Que significa ela?Que diante da diversidade,renunciamos a enfrentá-la,fazendo-nos cúmplices dela. Porém, não é isso o pior.Pior é a renúncia da liberdade. Renunciamos à sede ,que nos faz buscar abrir a torneira ; renunciamos ao desejo da luz ,que nos faria acender a luz; renunciamos ao aberto que nos faria girar a chave. Dessa maneira ,secura ,escuridão, e prisão deixam de estar de fora de nós para tornarem nós mesmos, com nossa falta de sede,nosso gosto de escuro e nossa falta de vontade de girar a chave. A poesia trás muitos aspectos artísticos,filosóficos e reflexivo na literatura...afinal foi desse jeito que interpretei o poema de José Paes.E alguém interpreta de um jeito diferente?
O que é a Memória?
A memória é uma atualização do passado ou a presentificação do passado e é também registro do presente para que permaneça a lembrança.Alguns estudiosos julgam que a memória seria um fato puramente biológico, isto é, um modo de funcionamento das células do cérebro que registram e gravam percepções e idéias, gestos e palavras. Para esses estudiosos, que memória se reduzida ,portanto,ao registro cerebral ou à gravação automática pelo cérebro de fatos ,acontecimentos ,coisas ,pessoas e relatos.Essa teoria ,porém não se sustenta. Em primeiro lugar ,por que se a memória fosse mero registro cerebral de fato é coisas do passados ,não se poderia explicar o fenômeno da lembrança isto é ,que selecionamos e escolhemos nossas lembranças tais como percepções, aspectos afetivos ,sentimentais e valorativos (há lembranças tristes ,alegria,saudade e arrependimento ou remorso) Em segundo lugar não poderia explicar o esquecimento ,pois se tudo está espontânea e automaticamente registrado e gravado em nosso cérebro, não poderíamos esquecer de coisa alguma e ter dificuldades para lembrar de certas coisas e recordar de outras tantas. Isso não significa que não haja fatores fisiológicos ou cerebrais da memória,pois os estudos científicos mostram não só zonas do cérebro responsáveis pela memória, como também os estudos bioquímicos mostram o papel de algumas substâncias responsáveis por conservar a memória e explicam o fenômeno do seu todo. Podemos dizer que a memorização entram nos componentes objetivos e subjetivos para formar a lembrança e também é um processo de seleção de nossas vidas e esquecimento daquilo que não é importante.
Cosmologia e Metafísica
A filosofia nasce da admiração e do espanto,dizem Platão e Aristóteles. Admiração : "O porque existe?"espanto " Porque o mundo é tal como é? . Desde seu nascimento a filosofia perguntou: "O que existe?","Porque existe?","O que é isso que existe?","O que é isso que existe?","Porque é como surge e como desaparece?","Porque é como muda?",Porque a natureza ou o mundo matem ordenados e constantes,apesar da mudança continua de todas as coisas? Esse espanto ou admiração diante do mundo se consiste em perguntas que levaram os primeiros filósofos a buscarem explicações racionais para a origem do mundo Odernado,o cosmo.Por esse motivo nasce a cosmologia na filosofia.A busca do princípio que causa e ordena tudo quanto existe (minerais;vegetais;animais;humanos;astros;úmido seco;quente ou frio) e tudo que nela acontece ( dia;noite;estações do ano;nascimento;saude;doença;morte;bem ou mal;belo ou feio;etc. )foi a busca de uma força natural parente e imortal ,subjacente as mudanças, denominada pelos primeiros filósofos com o nome physis,e portanto uma física ,ou como a chamava Aristóteles, uma fisiologia isto é o estudo da physis. Como então surgiu a metafísica Como surgiu um saber que suplantou a cosmologia ou física dos primeiros filósofos? Como por que a metafísica acabou se tornando o centro da disciplina mais importantes da filosofia? A palavra metafísica não foi empregada pelos filósofos gregos .Foi usada pela primeira vez por Andronico de Rodes, por volta do ano 50a.c,quando recolheu e classificou as obras de Aristóteles que durante muito séculos, haviam ficado dispersas e perdidas.Com essa sentença "Tá meta tá physica'_o organizador de textos aristotélicos indicava um conjunto de escritos que ,em sua classificação; localizava-se após o tratado sobre a física ou sobre a natureza,pois a palavra grega meta quer dizer "depois" "após ";"após cima de". Tà:"aqueles ";meta:"após,depois"; Tà physica: aqueles da física. Assim a expressão tà meta tà physica significa "aqueles(escritos)que estão (catalogados) após os (escritos) da física. Andrônico de Rodes propôs os escritos de física haviam recebido uma designação do próprio Aristóteles quando este definia o assunto de que tratavam :"São os escritos da Filosofia primeira ,cujo o tema é "Ser enquanto Ser".Desse modo Aristóteles chamou de Filosofia primeira passou a ser designado como metafísica. "Em quase toda parte do reino animal as fêmeas geram filhotes e o cavalo marinho a espécie que geram descendentes são os machos logo e errado dizer que só as fêmeas de cada espécie geram descendentes?Então porque o cavalo marinho macho é quem gera os filhotes e não a fêmea?
Heron de Alexandria e as máquinas
Um quinteto eterno. Não obstante terem sido as máquinas multiplicada através dos séculos, sua catalogação mais moderna terá de começar pelos cinco instrumentos enumerados pelo Filósofo e inventor Heron de Alexandria ,que viveu mais ou menos na época de Cristo: alavanca,roda e eixo,roldana,Cunha e rosca.Muito embora não contrariem a definição do dicionário, de que a máquina se compõe de "várias partes " esses instrumentos são considerado como "máquinas simples"-----prolongamentos descartáveis do corpo humano que no essencial,suplementam as funções dos braços. Variações do quinteto elementar de Heron estão por toda parte a nossa volta.Uma escavadeira por exemplo,é uma alavanca modificada.Um formão é uma cunha afiada.Um arado é uma rosca. Além desses instrumentos qualquer consideração de uma máquina terá de incluir os "agentes motores": mecanismo ____ou organismo___que convertem a uma forma natural de energia em outra forma capaz de produzir movimento.O corpo extrai energia química dos alimentos e o converte em energia muscular que possibilita o funcionamento das ações fisiológicas do corpo como falar,andar,e dar voltas em sua casa.Uma roda hidráulica transforma a energia cinética da água corrente em força e faz girar um eixo.Uma máquina a vapor converte a energia química do carvão em energia térmica de vapor que aciona o êmbolo. Dirá o engenheiro mecânico que as máquinas, como receptores de forças de agentes motores pertencem a uma categoria distinta.Tecnicamente ele estaria certo.Mas escrever sobre as máquinas deixando de lado os agentes motores seria discorrer em vão, o mesmo que falar de chassi de automóvel sem motor. Precursoras do mundo mecanizado de hoje a descoberta de agentes motores ,como moinhos de vento ,a conquista do metal e a criação da roda.Ja na idade paleolítica revelara o homem a inclinação do homem para " animal fazedor de instrumentos",na frase celebrada por Benjamim Franklin.Ideou facas de pedra de gume afiado,instrumentos de madeira pra cavar,machadinha de quartzo e arpões guarnecidos de ossos perfurantes.Era tudo tosco o prolongamento das mãos, das unhas ,e dos dentes.Em termos mecânicos eram Protomaquinas que não usavam meros apetrechos para aplicar a suas força com maior eficiência. Utilizou varas como alavancas para deslocar as rochas.Descobriu que a ganhará dos veados,quando encurvada retesada por um tendão, arremessava uma flecha a distância. Verificou que um bastão rodado entre as mãos produzia fogo mais rapidamente que dois bastões esfregando um contra o outro. E assim o homem tropeçou nas "máquinas simples " começando a perceber as forças que elas conferiam .Constatou que as alavancas proporcionavam vantagem mecânica. No arco de Flecha topou a ser o primeiro apetrecho para amarzenar energia.O bastão de fogo produziu movimento giratório parcial. O metal a substância definitiva,lustrosa,forjavel e duradoura das máquinas surgiu eficazmente à vontade do homem por volta do quarto milênio a.C.,nas antigas civilizações do oriente médio. Havia muito que ele utilizara o cobre puro,mas era uma raridade na natureza.Por um feliz acidente o homem se tornou cônscio então ele percebe que certas pedras dependiam líquido metálico se aquecidas com carvão vegetal sob tiragem forçada. Aprendeu a moldar cobre derretido em machadinha e formões que poderiam ser afiados quando o metal se solidificasse.E o homem libertou-se então da dependência da pedra intratável para seus implementos. Segundo Heron de Alexandria as máquinas são como nosso segundo corpo a alavanca substitui o braço (como manipular algo cortante por exemplo),;as rodas e motores substituem as pernas (carro,avião quaisquer meios de transporte),e o motor o cerebro (com a evolução dos motores trabalhamos com mais facilidade) Heron de Alexandria foi o primeiro filósofo a catalogar peças fundamentais para uma máquina que foi Um quinteto eterno ,até hoje presentes na nossa geladeira,carro,moto, ou uma furadeira...Agora imaginem como seria viver sem as máquinas você conseguiria? Você considera a máquina o segundo membro do seu corpo?
Análise do livro "O homem Moisés e a Religião Monoteísta " Sigmund Freud.
ANTECEDENTE HISTÓRICO - AKHENATON (DINASTIA XVIII -
1350-1333 A.C)
É incerto se Amenhotep IV, filho mais novo de Amenhotep III e da rainha Tiy,
chegou ao poder após a morte de seu pai, ou depois de um período indeterminado de
regência. Em qualquer caso, no quarto ano do seu reinado o Egito caiu em um período
de profundas mudanças e ideologias na religião e na arte sem precedentes.
Abandonando os retratos tradicionais dos deuses, o governante fez-se representar, com
sua esposa onipresente, Nefertiti, em atos de culto ao disco solar, identificado com o
deus Aton, surgem raios que terminam em mãos. O homem de Deus e seus epítetos ram inseridos em cartuchos, como nomes reais, e um grande santuário dedicado ao
deus sol em Karnak foi governado. Mesmo a iconografia do Faraó mudou radicalmente.
Algumas estátuas colossais retratam o rei com um realismo extremo: o crânio alongado,
rosto oval, lábios inchados, olhos amendoados, corpo andrógino e barriga flácida. O
novo cânone iconográfico extensível aos membros da família real e alguns funcionários
judiciais. E pela primeira vez na arte egípcia, o soberano é representado desempenhando
atividades diárias, e há inúmeras cenas que retratam a família real em sua vida privada
doméstica. Durante o quinto ano de seu reinado, Amenhotep IV começou sua nova
capital, em uma área de deserto do Oriente Egito, perto da atual cidade de Amarna,
onde se aposentou com sua corte para professar o culto de Aton. A fundação de uma
nova cidade, Akhenaton ("Horizonte de Aton"), coincidiu com a mudança do nome
verdadeiro: abandonou o nome que contém uma referência a Amun, o deus de Tebas, e
adotou o nome Akhenaten. Adorar os deuses do panteão egípcio foram proibidos e
fechou os santuários do país: o soberano impôs o culto exclusivo do disco solar e com
apenas o casal real foi possível estabelecer uma relação direta. A composição poética,
(Hino a Aton), foi provavelmente criado pelo próprio Ajenatón escrito sobre as paredes
de um túmulo da cidade de Akhenaton. Para o décimo segundo ano de mandato,
Akhenaton e Nefertiti viveram de forma estável na nova capital, onde tinham construído
novos palácios e templos para o culto de Aton; Tiy (mãe de Akenhaton) viveu com eles,
e a mãe real Nefertiti com suas seis filhas e outros membros da corte. Embora a política
externa deste período é bem conhecida graças ao arquivo real de Amarna, não há
nenhuma evidência de campanhas militares de destaque. Após o décimo segundo ano,
parece que vários infortúnios talvez relacionadas a uma epidemia virulenta, marcou a
última fase do reinado de Akhenaton; Tiy e duas de suas filhas morreram, e perdeu-se
os monumentos de Kiya, esposa secundária. Akhenaton morreu no décimo sétimo ano
de seu reinado, e foi sepultado no túmulo que havia aberto em Amarna. Seus
fragmentos no sarcófago foram remontados e hoje se encontram no Museu Egípcio, no
Cairo. O soberano deixou um Egito dividido abalado por profundas mudanças e um
delicado problema de sucessão.
Podemos comparar o Monoteísmo com o Totalitarismo definindo-o como um
sistema de governo em que todos os poderes ficam concentrados nas mãos do
governante. Desta forma, no regime totalitário não há espaço para a prática da
democracia, nem mesmo a garantia aos direitos individuais.No regime totalitário, o
líder decreta leis e toma decisões políticas e econômicas de acordo com suas vontades.
Embora possa haver sistema judiciário e legislativo em países de sistema totalitário, eles
acabam ficam às margens do poder.
MOISÉS E A RELIGIÃO MONOTEISTA
Obra de Sigmund Freud publicado em Amsterdã, em alemão, no ano 1939 sob
o título Der Mann Moses und die monotheistische Religião. Drei Abhandlungen. Livro
escrito em seu exílio, publicado simultaneamente em Amsterdam e Londres. No mesmo
ano da morte de seu autor, Moisés e o monoteísmo é uma das obras mais ousadas de
Sigmund Freud, um dos mais falados e que , juntamente com o Totem e tabu, que é a
continuação lógica, causou a maior controvérsia entre os especialistas. É uma obra-
prima, e o historiador Salo Baron Wittmayer não está errado em descrevê-lo, no
momento de sua aparição, "magnífico castelo no ar", e apontam que "Quando um
pensador da estatura de Freud toma posição sobre um assunto de interesse vital para ele, todos deveriam ouvir ".
O ensaio de Freud começa com esta declaração:
Privar um povo do homem de quem se orgulha como o maior de seus filhos
não é algo a ser alegre ou descuidadamente empreendido, e muito menos por alguém
que, ele próprio, é um deles. Mas não podemos permitir que uma reflexão como esta
nos induza a pôr de lado a verdade, em favor do que se supõe serem interesses
nacionais; além disso, pode-se esperar que o esclarecimento de um conjunto de fatos
nos traga um ganho em conhecimento. (Pág. 4)
No livro, Der Mythus von der Geburt des Helden (O mito do nascimento do
herói) escrito por Otto Rank, discípulo e colaborador de Sigmund Freud, analisa os
mitos de Sargon, Moisés, Karna, Édipo, Paris, Telephus, Perseu, Gilgamesh, Cyrus,
Tristan, Romulus, Hercules, Jesus, Siegfried e Lohengrin. Em sua análise todas essas
historias contêm características essenciais. Ele destaca símbolos recorrentes a todos
esses mitos, tais como a água, a luta para nascer mesmo contra toda adversidade, e a
vitória do herói. Otto Rank, quando ainda estava sob a influência de Freud publicou,
seguindo a sugestão do seu professor, o livro ´Lenda Media´. Logo Freud apoiou-se
neste livro para fundamentar certas hipóteses na historia do herói em seu ensaio Moisés
e a Religião Monoteísta.
‘O herói é filho de pais muito aristocráticos; geralmente, filho de um rei. ‘Sua
concepção é precedida por dificuldades, tal como a abstinência ou a esterilidade
prolongada, ou seus pais têm de ter relações em segredo, por causa de proibições ou
obstáculos externos. Durante a gravidez, ou mesmo antes, há uma profecia (sob a forma
de sonho ou oráculo) que alerta contra seu nascimento, que geralmente ameaça perigo
para o pai. ‘Como resultado disso, a criança recém-nascida é condenada à morte ou ao
abandono, geralmente por ordem do pai ou de alguém que o representa; via de regra é
abandonada às águas, num cesto. ‘Posteriormente ele é salvo por animais ou por gente
humilde (tais como pastores) e amamentado por uma fêmea de animal ou por uma
mulher humilde. ‘Após ter crescido, redescobre seus pais aristocráticos depois de
experiências altamente variadas, vinga-se do pai, por um lado, é reconhecido, por outro,
e alcança grandeza e fama. (Pág. 6)
Freud comenta as seguintes representações simbólicas:
O abandono num cesto -----------------------nascimento
Cesto-------------------------------------------- útero
Água-------------------------------------------- líquido amniótico
Relação genitor com a criança---------------tirar para fora ou salvar das águas
Família real ou aristocrática----------------- Família fictícia
Família humilde------------------------------- Família do “herói”
No ‘romance familiar’ ficção poética, o filho reage em sua relação emocional
com seus genitores especialmente com o pai. O mito do nascimento do herói fica na
imaginação do povo como um comportamento comum ao modelo de herói.
Eduard Meyer e outros especialistas presumiram que a lenda de Moises foi
diferente. Otto Rank diz que por “motivos nacionalistas” a lenda modificou-se tal como
a conhecemos no tempo atual, Freud comenta o seguinte: Em seu caso, a primeira
família; em outros casos, a aristocrática, foi suficientemente modesta. Ele era filho de
levitas judeus. Contudo, o lugar da segunda família, em outros casos a humilde, foi
tomado pela casa real do Egito; a princesa o criou como se fosse seu próprio filho. Esse
afastamento do tipo intrigou a muitas pessoas. O faraó, segundo eles, fora advertido por
um sonho profético de que um filho nascido de sua filha traria perigo para ele e para seu
reino. Dessa maneira, fez com que a criança fosse abandonada no Nilo, depois do
nascimento, mas ela foi salva por judeus e criada como filho deles.
Basta a reflexão, uma lenda que não mais se desvie das outras, pois seria de os
egípcios não tinham motivo para glorificar Moisés, visto este não ser um herói para
eles. Temos de supor, então, que a lenda foi criada entre os judeus, o que equivale a
dizer que foi ligada, em sua forma familiar [isto é, na forma típica de uma lenda de
nascimento], à figura de seu líder. Mas ela era totalmente inapropriada para esse fim,
pois que utilidade e poderia ter para um povo uma lenda que transformava seu grande
homem em estrangeiro? (Pág. 8)
Passo do totemismo ao monoteísmo
O tema principal do ensaio de Moisés, “trata-se de uma ideia fundada na
origem da religião monoteísta em geral”. É preciso, pois, reconstruir com certa
verossimilitude o acontecimento do assassinato que seja ao monoteísmo o que ou
assassinato do pai primitivo haveria sido ao totemismo, representando frente a este último o papel de relevo, de reforço e amplificação, Freud no seu ensaio de Moisés
aponta varias hipóteses um pouco arriscadas:
MOISÉS EGÍPCIO SEGUIDOR DO CULTO DE ATEN
...Surgiu a ideia de um deus universal Aten, a quem a restrição a um único país
e a um único povo não mais se aplicava. No jovem Amenófis IV, chegou ao trono um
faraó que não tinha interesse mais alto do que o desenvolvimento dessa ideia de um
deus. Ele promoveu a religião de Aten a religião estatal e, através dele, o deus universal
tornou-se o único deus: tudo o que se contava dos outros deuses era engano e mentira. O
Moisés egípcio dera a uma parte do povo uma noção mais altamente espiritualizada de
deus, não pode constituir fato sem importância que Akhenaten comumente se referisse a
si mesmo, em suas inscrições, como “vivendo em Ma’at” (Verdade, Justiça).
Moisés, podemos perguntar: que significa seu nome?, qual é a sua origem?
Segundo as deduções de investigadores como o mesmo Freud chega à conclusão que
seu significado deriva do vocabulário egípcio Mós ou Més (Mose) que significa criança,
deixando assim sua origem de nascimento no mesmo Egito. A circuncisão, prática
utilizada pelo egípcios, também foi introduzida aos judeus por Moisés, podemos
remeter-nos à uma lembrança do primevo com este termo da circuncisão, a castração
dos filhos por parte do pai na horda primitiva .
MONOTEISMO DE ATEN
Se, contudo, colocarmos Moisés na época de Akhenaten e o supusermos em
contato com esse faraó, o enigma se desfará, mostrando-se possíveis os motivos que
responderão a todas as nossas perguntas. Comecemos pela suposição de que Moisés era
um aristocrata, um homem proeminente, talvez, na verdade, um membro da casa real,
tal como a lenda diz a seu respeito. Indubitavelmente, estava cônscio de suas grandes
capacidades, era ambicioso e enérgico; pode ter inclusive acalentado a ideia de um dia vir a ser o líder de seu povo, de se tornar o governante do reino. Achando-se perto do
faraó, era um aderente convicto da nova religião, cujos pensamentos básicos fizera seus.
HERÓI MOISÉS
O assassinato do líder Moisés, por parte de seu povo, Freud expõe nesta
hipótese as conclusões de Ernst Sellin, teólogo, pioneiro na utilização da arqueologia no
estúdio da bíblia, experto em línguas orientais onde expôs em seu livro, Mose und seine
Bedeutung für die israelitisch-jüdische Religionsgeschichte (Moisés e sua importância
para a história religiosa israelita-judaica), Leipzig, 1922, a teoria do assassinato a partir
das escrituras dos profetas e suas alusões ao liberador dos judeus.
Moisés, derivando-se da escola de Akhenaten, não empregou métodos
diferentes dos que o faraó usara; ele ordenou, forçou sua fé ao povo. A doutrina de
Moisés pode ter sido inclusive mais dura do que a de seu mestre. (Pág. 25)
PROFETAS JUDEUS ARTIFICES DO DEUS MOSAICO
Surgiu então, dentre o povo, uma sucessão infindável de homens que não eram
ligados a Moisés em sua origem, mas que foram cativados na obscuridade: foram esses
homens, os profetas, que incansavelmente pregaram a antiga doutrina mosaica — a de
que a divindade desdenhava o sacrifício e o cerimonial e pedia apenas fé e uma vida na
Verdade e na Justiça (Ma’at). Os esforços dos profetas alcançaram sucesso duradouro;
as doutrinas com que haviam restabelecido a velha fé tornaram-se o conteúdo
permanente da religião judaica. É honra bastante para o povo judeu que tenha
conseguido preservar tal tradição e produzir homens que lhe deram voz, ainda que a
iniciativa para isso tenha provindo do exterior, de um grande forasteiro. (Pág. 28)
Podemos citar a Paul Recoeur nas suas conclusões nestas quatro hipóteses:
A primeira hipótese: Moisés egípcio, as presunções derivadas do nome de
Moisés, como o relato de seu nascimento, a origem egípcia da circuncisão, não são de
muito crédito nesta hipótese de um Moisés egípcio. Segunda hipótese: monoteísmo de Aten, que haveria sido elaborado conforme o modelo de um príncipe pacífico, o famoso
faraó Akhenaten, e logo Moisés haveria imposto as tribos semitas. Ainda supondo que a
religião de Aten e a personalidade fascinante de Akhenaten não sejam subestimadas, é
duvidoso que tenha relação alguma com a religião hebraica. Terceira hipótese: o
"herói" Moisés, no sentido de Otto Rank (cuja influencia es aqui considerável), haveria
sido assassinado pelo povo e o culto ao deus de Moisés haveria se fundido com a de
Javé, deus dos vulcões, disfarce sob o qual o deus de Moisés haveria dissimulado sua
origem e também o assassinato do herói poderia assim cair no esquecimento.
Desgraçadamente, a hipóteses de um assassinato de Moisés, sugerido por Sellin em
1922 com um contexto geográfico e histórico muito diferente, foi ulteriormente
abandonada por o próprio autor. Também, tal hipótese força a desdobrar a Moisés, o
Moisés do culto a Aten e o do culto a Javé, hipótese que não encontra apoio nenhum
entre os especialistas. Quarta hipótese: os profetas judeus haveriam sido artífices do
retorno ao deus mosaico; o mesmo acontecimento traumático haveria ressurgido sob os
rasgos do deus ético, e o retorno ao deus mosaico seria, também, o retorno do
traumatismo reprimido. Teríamos assim o ponto em que coincidem um ressurgimento
no plano das representações e um retorno do reprimido no plano emocional. Se o povo
judeu ofereceu à cultura ocidental seu modelo de autoacusação, isto se deveria a que seu
sentido da culpabilidade se alimenta com a lembrança de um assassinato que trata ao
mesmo tempo de dissimular.
Aplicação – Trauma primitivo – Defesa – Latência
O restabelecimento do pai primevo em seu direitos históricos constituiu um
grande passo à frente, mas não podia ser o fim. As outras partes da tragédia pré-
histórica insistiam em ser reconhecidas. Não é fácil discernir o que colocou esse
processo em movimento. Parece como se um crescente sentimento de culpa se tivesse
apoderado do povo judeu, ou, talvez, de todo o mundo civilizado da época, como um
precursor de retorno do material reprimido, até que, por fim, um desses judeus
encontrou, ao justificar um agitador político- religioso, ocasião para desligar do
judaísmo uma nova religião — a cristã. Paulo, um judeu romano de Tarso, apoderou-se
desse sentimento de culpa e o fez remontar corretamente à sua fonte original. Chamou
essa fonte de ‘pecado original’; fora um crime contra Deus, e só podia ser expiado pela
morte. (Pág. 48)
Se Moisés foi o primeiro Messias, Cristo tornou-se seu substituto e sucessor, e
Paulo poderia exclamar para os povos, com certa justificação histórica: Olhai! O
Messias realmente veio: ele foi assassinado perante vossos olhos!’ Além disso, também,
existe um fragmento de verdade histórica na ressurreição de Cristo, pois ele foi o
Moisés ressurreto e, por trás deste, o pai primevo retornado da horda primitiva,
transfigurado e, como o filho, colocado no lugar do pai. O pobre povo judeu, que, com
sua obstinação habitual, continuava a repudiar o assassinato do pai, expiou-o
pesadamente no decurso do tempo. Defrontou-se constantemente com a recriminação:
‘Vocês mataram nosso Deus!’ E essa censura é verdadeira, se for corretamente
traduzida. Colocada em relação com a história das religiões, ela diz: ‘Vocês não
admitem que mataram Deus (a figura primeva de Deus, o pai primevo, e suas
reencarnações posteriores).’ Deveria haver um acréscimo, declarando-se: ‘Fizemos a
mesma coisa, é verdade, mas o admitimos, e, desde então, fomos absolvidos.’ (Pág. 50)
Freud compara a conformidade entre o indivíduo e o grupo, “o que é esquecido
não se extingue, mas é apenas ‘reprimido’, seus traços mnêmicos estão presentes, mas
isolados por anticatexias”.
A RENÚNCIA AO INSTINTO, ID-EGO-SUPEREGO
Se o id de um ser humano dá origem a uma exigência instintual de natureza
agressiva ou erótica, o mais simples e natural é que o ego, que tem o aparelho de
pensamento e o aparelho muscular à sua disposição, satisfaça a exigência através de
uma ação. Essa satisfação do instinto é sentida pelo ego como prazer, tal como sua não
satisfação indubitavelmente se tornaria fonte de desprazer. Ora, pode surgir um caso em
que o ego se abstenha de satisfazer o instinto, por causa de obstáculos externos, a saber,
se percebesse que a ação em apreço provocaria um sério perigo ao ego. Uma abstenção
da satisfação desse tipo, a renúncia a um instinto por causa de um obstáculo externo —
ou, como podemos dizer, em obediência ao princípio da realidade —, não é agradável em caso algum. A renúncia ao instinto conduziria a uma tensão duradoura, devida ao
desprazer, se não fosse possível reduzir a intensidade do próprio instinto mediante
deslocamentos de energia. A renúncia instintual, contudo, pode também ser imposta por
outras razões, as quais corretamente descrevemos como internas. No curso do
desenvolvimento de um indivíduo, uma parte das forças inibidoras do mundo externo é
internalizada e constrói-se no ego uma instância que confronta o restante do ego num
sentido observador, crítico e proibidor. Chamamos essa nova instância de superego.
Doravante o ego, antes de colocar em funcionamento as satisfações instintuais exigidas
pelo id, tem de levar em conta não simplesmente os perigos do mundo externo, mas
também as objeções do superego, e terá ainda mais fundamentos para abster-se de
satisfazer o instinto. Mas onde a renúncia instintual, quando se dá por razões externas, é
apenas desprazerosa, quando ela se deve a razões internas, em obediência ao superego,
ela tem um efeito econômico diferente. Em acréscimo às inevitáveis consequências
desprazerosas, ela também traz ao ego um rendimento de prazer — uma satisfação
substitutiva, por assim dizer. O ego se sente elevado; orgulha-se da renúncia instintual,
como se ela constituísse uma realização de valor. Acreditamos que podemos entender o
mecanismo desse rendimento de prazer. O superego é o sucessor e o representante dos
pais (e educadores) do indivíduo, que lhe supervisionaram as ações no primeiro período
de sua vida; ele continua as funções deles quase sem mudança. Mantém o ego num
permanente estado de dependência e exerce pressão constante sobre ele. Tal como na
infância, o ego fica apreensivo em pôr em risco o amor de seu senhor supremo; sente
sua aprovação como libertação e satisfação, e suas censuras como tormentos de
consciência. Quando o ego traz ao superego o sacrifício de uma renúncia instintual, ele
espera ser recompensado recebendo mais amor deste último. A consciência de merecer
esse amor é sentida por ele como orgulho. Na época em que a autoridade ainda não fora
internalizada como superego, poderia ter havido a mesma relação entre a ameaça de
perda do amor e as reivindicações do instinto; havia um sentimento de segurança e
satisfação quando se conseguia uma renúncia instintual por amor ao país. Mas esse
sentimento feliz só poderia assumir o peculiar caráter narcísico de orgulho depois que a
própria autoridade se tivesse tornado parte do ego. (Pág. 65)
A religião que começou com a proibição de fabricar uma imagem de Deus
transforma-se cada vez mais, no decurso dos séculos, numa religião de renúncias Retornando à ética, podemos dizer, em conclusão, que uma parte de seus
preceitos se justifica racionalmente pela necessidade de delimitar os direitos da
sociedade contra o indivíduo, os direitos do indivíduo contra a sociedade, e os dos
indivíduos uns contra os outros. Mas o que nos parece tão grandioso a respeito da ética,
tão misterioso e, de modo místico, tão auto-evidente, deve essas características à sua
vinculação com a religião, à sua origem na vontade do pai.
O QUE É VERDADEIRO EM RELIGIÃO O RETORNO DO
REPRIMIDO
Descobrimos que o homem Moisés imprimiu nesse povo esse caráter dando-
lhes uma religião que aumentou tanto sua auto-estima que ele se julgou superior a todos
os outros povos. (1) permitiu ao povo participar da grandiosidade de uma nova ideia de
Deus, (2) afirmou que esse povo fora escolhido por esse grande Deus e destinado a
receber provas de seu favor especial, e (3) impôs ao povo um avanço em
intelectualidade que, bastante importante em si mesmo, lhe abriu o caminho, em
acréscimo, à apreciação do trabalho intelectual e a novas renúncias aos instintos. (Pág. 68)
A fim de não perdermos a vinculação com nosso tema, devemos manter em
mente o fato de que, no início de tal curso de acontecimentos, há sempre uma
identificação com o pai na primeira infância. Esta é posteriormente repudiada e até
mesmo supercompensada, mas, ao final, mais uma vez se estabelece. (Pág. 70)
Verdade histórica o desenvolvimento histórico
Tentemos abordar o assunto a partir da direção oposta. Compreendemos como
um homem primitivo tem necessidade de um deus como criador do universo, como
chefe de seu clã, como protetor pessoal. Esse deus assume posição por trás dos pais
mortos [do clã], a respeito de quem a tradição ainda tem algo a dizer. Um homem de
dias posteriores, de nossos próprios dias, comporta-se da mesma maneira. Também ele
permanece infantil e tem necessidade de proteção, inclusive quando adulto; pensa que
não pode passar sem o apoio de seu deus. (Pág. 71)
Saulo de Tarso (que, como cidadão romano, chamava-se Paulo), que a
compreensão pela primeira vez emergiu: ‘a razão por que somos tão infelizes é que
matamos Deus, o pai,’ E é inteiramente compreensível que ele só pudesse apreender
esse fragmento de verdade no disfarce delirante da boa notícia: ‘estamos libertos de toda
culpa, uma vez que um de nós sacrificou a vida para absolver-nos.’ Nessa fórmula, a
morte de Deus naturalmente não foi mencionada, mas um crime que tinha de ser
explicado pelo sacrifício de uma vítima só poderia ter sido um assassinato. E o passo
intermediário entre o delírio e a verdade histórica foi proporcionado pela garantia de
que derivou da fonte da verdade histórica, essa nova fé derrubou todos os obstáculos. O sentimento bem- aventurado de ser escolhido foi substituído pelo sentimento liberador
da redenção. Mas o fato do parricídio, retornando à memória da humanidade, teve de
superar resistências maiores do que o outro fato, que constituíra o tema geral do
monoteísmo; ele também foi obrigado a submeter-se a uma deformação mais poderosa.
O crime inominável foi substituído pela hipótese do que deve ser descrito como um
indistinto ‘pecado original’. (Pág. 75)
O pecado original e a redenção pelo sacrifício de uma vítima tornaram-se as
pedras fundamentais de nova religião fundada por Paulo. Deve permanecer incerto se
houve um cabeça e instigador ao crime entre o bando de irmãos que se rebelou contra o
pai primevo, ou se tal figura foi criada posteriormente pela imaginação de artistas
criativos, a fim de se transformarem em heróis, tendo sido então introduzida na tradição.
Após a doutrina cristã ter queimado a estrutura do judaísmo, recolheu componentes de
muitas outras fontes, renunciou a uma série de características do monoteísmo puro e
adaptou-se, em muitos pormenores, aos rituais de outros povos mediterrâneos. Foi como
se o Egito mais uma vez se vingasse dos herdeiros de Akhenaten.
Vale a pena notar como a nova religião lidou com a antiga ambivalência na
relação com o pai. Seu conteúdo principal foi, é verdade, a reconciliação com o Deus
pai, a expiação pelo crime cometido contra ele, mas o outro lado da relação emocional
mostrava-se no fato de o filho, que tomara a expiação sobre si, tornar-se um deus, ele
próprio, ao lado do pai, e, na realidade, em lugar deste. O cristianismo, tendo surgido de
uma religião paterna, tornou-se uma religião filial. Não escapou ao destino de ter de
livrar-se do pai. (Pág. 76)
1. Conclusão do ensaio Moises...
A alternância na obra de Freud entre a pesquisa médica e teoria da cultura
testemunha a amplitude do projeto freudiano. Aliás, é na última parte da obra de Freud,
onde são acumulados os grandes textos sobre a cultura. Moisés e o monoteísmo é
apenas um fragmento de um importante trabalho de Freud que propôs aplicar o método
psicanalítico para a Bíblia, é a teoria necessária para sua revisão de um assassinato
real. A transição do totemismo ao monoteísmo, exigiu a renovação do crime, a fim de
fortalecer e sublimar a figura do pai, aumentar a culpa, exaltar a reconciliação com o pai
e mais tarde com o cristianismo, para ampliar a figura de substituição do filho. A morte de Cristo seria um outro endosso das origens da memória, enquanto a pascoa ressuscita
Moises, a religião de Paulo, finalmente, iria completar este retorno do reprimido, o que
leva à sua origem pré-histórica e dando o nome de pecado original: que ele tinha
cometido um crime contra Deus e só a morte poderia repará-lo. Ao mesmo tempo
coloca aqui sua antiga hipótese de rebelião filial: o culpado principal deveria ser o
Redentor, chefe da horda fraternal, o mesmo herói rebelde da tragédia grega. "Com ele
retorna o pai primevo da horda primitiva, certamente transfigurado e havendo tomado
como filho, o lugar de seu pai." Apenas a repetição de uma morte real permitiu obter
esse efeito de reforço, que Freud atribuiu totem à Deus. Mas a religião, aliás, não é
pura ilusão, já que inclui "reminiscências históricas importantes." E, Moisés e a
religião monoteísta, fala neste sentido de um "núcleo de verdade na religião." Por que
essa insistência sobre a realidade das memórias? Para dar uma analogia com o
fundamento real da religião e neurose obsessiva. De fato, se a analogia entre a ilusão e o
sonho é baseado em caráter paternal, a analogia do complexo da criança entre religião e
neurose deve ter a mesma base. Se é verdade que, "a criança humana não pode realizar
o seu desenvolvimento cultural sem passar por uma fase mais ou menos definido de
neurose." O futuro de uma ilusão, é a ideia de orientação de Moisés ao monoteísmo. A
principal ocasião da correspondência entre o fenômeno da latência característica da
neurose e "fenômeno latência" que Freud acredita ter descoberto na história do
judaísmo, incluindo o assassinato de Moisés e do surgimento da religião Moisés, no
tempo dos profetas. "Além disso, a espécie humana está sujeita a processos de conteúdo
agressivo-sexual que deixam vestígios permanentes, mas foram descartados e
esquecidos em sua maioria. Mais tarde, depois de um longo período de latência, esses
processos são reativados, produzindo fenômenos comparáveis na sua estrutura e a sua
tendência para sintomas neuróticos " A psicanálise faz analogia, fundada na religião; é,
sem dúvida, o exemplo mais marcante da interação dentro da obra de Freud, a
interpretação dos sonhos e neuroses, e hermenêutica da cultura. A interpretação dos
sonhos, quando a análise descobre no sonho "nossos velhos desejos", "o desejo
indestrutível". A repetição em todos os retornos, narcisismo sublime ou não, escritos
que vão desde Totem e Tabu para Moisés e o Monoteísmo continua falando sobre
repetição: a instância que impulsiona o homem a superar o desejo da criança é a mesma puxando-o de volta.
A religião é, para Freud, na repetição monótona de suas próprias origens. É um
eterno chutar no chão de sua própria história arcaica. A eucaristia cristã repete a
refeição totem, como a morte de Cristo repete o profeta Moisés, que repete a morte do
pai original. A epigenesis do problema da incredulidade do homem é solucionado
apenas com a repetição, equivale constituir um sentimento religioso, uma rejeição de
qualquer consideração sobre o que pode ser uma transformação do desejo e medo ao
"retorno do reprimido". No primeiro estudo de Moisés e o Monoteísmo, se Moisés era
egípcio, Deus teve que tomar uma religião ética constituída, assim como no culto de
Aten, construído, sobre o modelo do faraó Akhenaten. Coloca em pleno vigor o enigma
de um deus "político", quer dizer, um deus que define o pacto social e, portanto,
levanta-se sobre o mérito do desejo e do medo para manter uma relação mais estreita
com a reconciliação entre os irmãos com o assassinato do pai. Neste sentido, pode-se dizer que o desejo, em vez de medo, é o criador da religião.
1350-1333 A.C)
É incerto se Amenhotep IV, filho mais novo de Amenhotep III e da rainha Tiy,
chegou ao poder após a morte de seu pai, ou depois de um período indeterminado de
regência. Em qualquer caso, no quarto ano do seu reinado o Egito caiu em um período
de profundas mudanças e ideologias na religião e na arte sem precedentes.
Abandonando os retratos tradicionais dos deuses, o governante fez-se representar, com
sua esposa onipresente, Nefertiti, em atos de culto ao disco solar, identificado com o
deus Aton, surgem raios que terminam em mãos. O homem de Deus e seus epítetos ram inseridos em cartuchos, como nomes reais, e um grande santuário dedicado ao
deus sol em Karnak foi governado. Mesmo a iconografia do Faraó mudou radicalmente.
Algumas estátuas colossais retratam o rei com um realismo extremo: o crânio alongado,
rosto oval, lábios inchados, olhos amendoados, corpo andrógino e barriga flácida. O
novo cânone iconográfico extensível aos membros da família real e alguns funcionários
judiciais. E pela primeira vez na arte egípcia, o soberano é representado desempenhando
atividades diárias, e há inúmeras cenas que retratam a família real em sua vida privada
doméstica. Durante o quinto ano de seu reinado, Amenhotep IV começou sua nova
capital, em uma área de deserto do Oriente Egito, perto da atual cidade de Amarna,
onde se aposentou com sua corte para professar o culto de Aton. A fundação de uma
nova cidade, Akhenaton ("Horizonte de Aton"), coincidiu com a mudança do nome
verdadeiro: abandonou o nome que contém uma referência a Amun, o deus de Tebas, e
adotou o nome Akhenaten. Adorar os deuses do panteão egípcio foram proibidos e
fechou os santuários do país: o soberano impôs o culto exclusivo do disco solar e com
apenas o casal real foi possível estabelecer uma relação direta. A composição poética,
(Hino a Aton), foi provavelmente criado pelo próprio Ajenatón escrito sobre as paredes
de um túmulo da cidade de Akhenaton. Para o décimo segundo ano de mandato,
Akhenaton e Nefertiti viveram de forma estável na nova capital, onde tinham construído
novos palácios e templos para o culto de Aton; Tiy (mãe de Akenhaton) viveu com eles,
e a mãe real Nefertiti com suas seis filhas e outros membros da corte. Embora a política
externa deste período é bem conhecida graças ao arquivo real de Amarna, não há
nenhuma evidência de campanhas militares de destaque. Após o décimo segundo ano,
parece que vários infortúnios talvez relacionadas a uma epidemia virulenta, marcou a
última fase do reinado de Akhenaton; Tiy e duas de suas filhas morreram, e perdeu-se
os monumentos de Kiya, esposa secundária. Akhenaton morreu no décimo sétimo ano
de seu reinado, e foi sepultado no túmulo que havia aberto em Amarna. Seus
fragmentos no sarcófago foram remontados e hoje se encontram no Museu Egípcio, no
Cairo. O soberano deixou um Egito dividido abalado por profundas mudanças e um
delicado problema de sucessão.
Podemos comparar o Monoteísmo com o Totalitarismo definindo-o como um
sistema de governo em que todos os poderes ficam concentrados nas mãos do
governante. Desta forma, no regime totalitário não há espaço para a prática da
democracia, nem mesmo a garantia aos direitos individuais.No regime totalitário, o
líder decreta leis e toma decisões políticas e econômicas de acordo com suas vontades.
Embora possa haver sistema judiciário e legislativo em países de sistema totalitário, eles
acabam ficam às margens do poder.
MOISÉS E A RELIGIÃO MONOTEISTA
Obra de Sigmund Freud publicado em Amsterdã, em alemão, no ano 1939 sob
o título Der Mann Moses und die monotheistische Religião. Drei Abhandlungen. Livro
escrito em seu exílio, publicado simultaneamente em Amsterdam e Londres. No mesmo
ano da morte de seu autor, Moisés e o monoteísmo é uma das obras mais ousadas de
Sigmund Freud, um dos mais falados e que , juntamente com o Totem e tabu, que é a
continuação lógica, causou a maior controvérsia entre os especialistas. É uma obra-
prima, e o historiador Salo Baron Wittmayer não está errado em descrevê-lo, no
momento de sua aparição, "magnífico castelo no ar", e apontam que "Quando um
pensador da estatura de Freud toma posição sobre um assunto de interesse vital para ele, todos deveriam ouvir ".
O ensaio de Freud começa com esta declaração:
Privar um povo do homem de quem se orgulha como o maior de seus filhos
não é algo a ser alegre ou descuidadamente empreendido, e muito menos por alguém
que, ele próprio, é um deles. Mas não podemos permitir que uma reflexão como esta
nos induza a pôr de lado a verdade, em favor do que se supõe serem interesses
nacionais; além disso, pode-se esperar que o esclarecimento de um conjunto de fatos
nos traga um ganho em conhecimento. (Pág. 4)
No livro, Der Mythus von der Geburt des Helden (O mito do nascimento do
herói) escrito por Otto Rank, discípulo e colaborador de Sigmund Freud, analisa os
mitos de Sargon, Moisés, Karna, Édipo, Paris, Telephus, Perseu, Gilgamesh, Cyrus,
Tristan, Romulus, Hercules, Jesus, Siegfried e Lohengrin. Em sua análise todas essas
historias contêm características essenciais. Ele destaca símbolos recorrentes a todos
esses mitos, tais como a água, a luta para nascer mesmo contra toda adversidade, e a
vitória do herói. Otto Rank, quando ainda estava sob a influência de Freud publicou,
seguindo a sugestão do seu professor, o livro ´Lenda Media´. Logo Freud apoiou-se
neste livro para fundamentar certas hipóteses na historia do herói em seu ensaio Moisés
e a Religião Monoteísta.
‘O herói é filho de pais muito aristocráticos; geralmente, filho de um rei. ‘Sua
concepção é precedida por dificuldades, tal como a abstinência ou a esterilidade
prolongada, ou seus pais têm de ter relações em segredo, por causa de proibições ou
obstáculos externos. Durante a gravidez, ou mesmo antes, há uma profecia (sob a forma
de sonho ou oráculo) que alerta contra seu nascimento, que geralmente ameaça perigo
para o pai. ‘Como resultado disso, a criança recém-nascida é condenada à morte ou ao
abandono, geralmente por ordem do pai ou de alguém que o representa; via de regra é
abandonada às águas, num cesto. ‘Posteriormente ele é salvo por animais ou por gente
humilde (tais como pastores) e amamentado por uma fêmea de animal ou por uma
mulher humilde. ‘Após ter crescido, redescobre seus pais aristocráticos depois de
experiências altamente variadas, vinga-se do pai, por um lado, é reconhecido, por outro,
e alcança grandeza e fama. (Pág. 6)
Freud comenta as seguintes representações simbólicas:
O abandono num cesto -----------------------nascimento
Cesto-------------------------------------------- útero
Água-------------------------------------------- líquido amniótico
Relação genitor com a criança---------------tirar para fora ou salvar das águas
Família real ou aristocrática----------------- Família fictícia
Família humilde------------------------------- Família do “herói”
No ‘romance familiar’ ficção poética, o filho reage em sua relação emocional
com seus genitores especialmente com o pai. O mito do nascimento do herói fica na
imaginação do povo como um comportamento comum ao modelo de herói.
Eduard Meyer e outros especialistas presumiram que a lenda de Moises foi
diferente. Otto Rank diz que por “motivos nacionalistas” a lenda modificou-se tal como
a conhecemos no tempo atual, Freud comenta o seguinte: Em seu caso, a primeira
família; em outros casos, a aristocrática, foi suficientemente modesta. Ele era filho de
levitas judeus. Contudo, o lugar da segunda família, em outros casos a humilde, foi
tomado pela casa real do Egito; a princesa o criou como se fosse seu próprio filho. Esse
afastamento do tipo intrigou a muitas pessoas. O faraó, segundo eles, fora advertido por
um sonho profético de que um filho nascido de sua filha traria perigo para ele e para seu
reino. Dessa maneira, fez com que a criança fosse abandonada no Nilo, depois do
nascimento, mas ela foi salva por judeus e criada como filho deles.
Basta a reflexão, uma lenda que não mais se desvie das outras, pois seria de os
egípcios não tinham motivo para glorificar Moisés, visto este não ser um herói para
eles. Temos de supor, então, que a lenda foi criada entre os judeus, o que equivale a
dizer que foi ligada, em sua forma familiar [isto é, na forma típica de uma lenda de
nascimento], à figura de seu líder. Mas ela era totalmente inapropriada para esse fim,
pois que utilidade e poderia ter para um povo uma lenda que transformava seu grande
homem em estrangeiro? (Pág. 8)
Passo do totemismo ao monoteísmo
O tema principal do ensaio de Moisés, “trata-se de uma ideia fundada na
origem da religião monoteísta em geral”. É preciso, pois, reconstruir com certa
verossimilitude o acontecimento do assassinato que seja ao monoteísmo o que ou
assassinato do pai primitivo haveria sido ao totemismo, representando frente a este último o papel de relevo, de reforço e amplificação, Freud no seu ensaio de Moisés
aponta varias hipóteses um pouco arriscadas:
MOISÉS EGÍPCIO SEGUIDOR DO CULTO DE ATEN
...Surgiu a ideia de um deus universal Aten, a quem a restrição a um único país
e a um único povo não mais se aplicava. No jovem Amenófis IV, chegou ao trono um
faraó que não tinha interesse mais alto do que o desenvolvimento dessa ideia de um
deus. Ele promoveu a religião de Aten a religião estatal e, através dele, o deus universal
tornou-se o único deus: tudo o que se contava dos outros deuses era engano e mentira. O
Moisés egípcio dera a uma parte do povo uma noção mais altamente espiritualizada de
deus, não pode constituir fato sem importância que Akhenaten comumente se referisse a
si mesmo, em suas inscrições, como “vivendo em Ma’at” (Verdade, Justiça).
Moisés, podemos perguntar: que significa seu nome?, qual é a sua origem?
Segundo as deduções de investigadores como o mesmo Freud chega à conclusão que
seu significado deriva do vocabulário egípcio Mós ou Més (Mose) que significa criança,
deixando assim sua origem de nascimento no mesmo Egito. A circuncisão, prática
utilizada pelo egípcios, também foi introduzida aos judeus por Moisés, podemos
remeter-nos à uma lembrança do primevo com este termo da circuncisão, a castração
dos filhos por parte do pai na horda primitiva .
MONOTEISMO DE ATEN
Se, contudo, colocarmos Moisés na época de Akhenaten e o supusermos em
contato com esse faraó, o enigma se desfará, mostrando-se possíveis os motivos que
responderão a todas as nossas perguntas. Comecemos pela suposição de que Moisés era
um aristocrata, um homem proeminente, talvez, na verdade, um membro da casa real,
tal como a lenda diz a seu respeito. Indubitavelmente, estava cônscio de suas grandes
capacidades, era ambicioso e enérgico; pode ter inclusive acalentado a ideia de um dia vir a ser o líder de seu povo, de se tornar o governante do reino. Achando-se perto do
faraó, era um aderente convicto da nova religião, cujos pensamentos básicos fizera seus.
HERÓI MOISÉS
O assassinato do líder Moisés, por parte de seu povo, Freud expõe nesta
hipótese as conclusões de Ernst Sellin, teólogo, pioneiro na utilização da arqueologia no
estúdio da bíblia, experto em línguas orientais onde expôs em seu livro, Mose und seine
Bedeutung für die israelitisch-jüdische Religionsgeschichte (Moisés e sua importância
para a história religiosa israelita-judaica), Leipzig, 1922, a teoria do assassinato a partir
das escrituras dos profetas e suas alusões ao liberador dos judeus.
Moisés, derivando-se da escola de Akhenaten, não empregou métodos
diferentes dos que o faraó usara; ele ordenou, forçou sua fé ao povo. A doutrina de
Moisés pode ter sido inclusive mais dura do que a de seu mestre. (Pág. 25)
PROFETAS JUDEUS ARTIFICES DO DEUS MOSAICO
Surgiu então, dentre o povo, uma sucessão infindável de homens que não eram
ligados a Moisés em sua origem, mas que foram cativados na obscuridade: foram esses
homens, os profetas, que incansavelmente pregaram a antiga doutrina mosaica — a de
que a divindade desdenhava o sacrifício e o cerimonial e pedia apenas fé e uma vida na
Verdade e na Justiça (Ma’at). Os esforços dos profetas alcançaram sucesso duradouro;
as doutrinas com que haviam restabelecido a velha fé tornaram-se o conteúdo
permanente da religião judaica. É honra bastante para o povo judeu que tenha
conseguido preservar tal tradição e produzir homens que lhe deram voz, ainda que a
iniciativa para isso tenha provindo do exterior, de um grande forasteiro. (Pág. 28)
Podemos citar a Paul Recoeur nas suas conclusões nestas quatro hipóteses:
A primeira hipótese: Moisés egípcio, as presunções derivadas do nome de
Moisés, como o relato de seu nascimento, a origem egípcia da circuncisão, não são de
muito crédito nesta hipótese de um Moisés egípcio. Segunda hipótese: monoteísmo de Aten, que haveria sido elaborado conforme o modelo de um príncipe pacífico, o famoso
faraó Akhenaten, e logo Moisés haveria imposto as tribos semitas. Ainda supondo que a
religião de Aten e a personalidade fascinante de Akhenaten não sejam subestimadas, é
duvidoso que tenha relação alguma com a religião hebraica. Terceira hipótese: o
"herói" Moisés, no sentido de Otto Rank (cuja influencia es aqui considerável), haveria
sido assassinado pelo povo e o culto ao deus de Moisés haveria se fundido com a de
Javé, deus dos vulcões, disfarce sob o qual o deus de Moisés haveria dissimulado sua
origem e também o assassinato do herói poderia assim cair no esquecimento.
Desgraçadamente, a hipóteses de um assassinato de Moisés, sugerido por Sellin em
1922 com um contexto geográfico e histórico muito diferente, foi ulteriormente
abandonada por o próprio autor. Também, tal hipótese força a desdobrar a Moisés, o
Moisés do culto a Aten e o do culto a Javé, hipótese que não encontra apoio nenhum
entre os especialistas. Quarta hipótese: os profetas judeus haveriam sido artífices do
retorno ao deus mosaico; o mesmo acontecimento traumático haveria ressurgido sob os
rasgos do deus ético, e o retorno ao deus mosaico seria, também, o retorno do
traumatismo reprimido. Teríamos assim o ponto em que coincidem um ressurgimento
no plano das representações e um retorno do reprimido no plano emocional. Se o povo
judeu ofereceu à cultura ocidental seu modelo de autoacusação, isto se deveria a que seu
sentido da culpabilidade se alimenta com a lembrança de um assassinato que trata ao
mesmo tempo de dissimular.
Aplicação – Trauma primitivo – Defesa – Latência
O restabelecimento do pai primevo em seu direitos históricos constituiu um
grande passo à frente, mas não podia ser o fim. As outras partes da tragédia pré-
histórica insistiam em ser reconhecidas. Não é fácil discernir o que colocou esse
processo em movimento. Parece como se um crescente sentimento de culpa se tivesse
apoderado do povo judeu, ou, talvez, de todo o mundo civilizado da época, como um
precursor de retorno do material reprimido, até que, por fim, um desses judeus
encontrou, ao justificar um agitador político- religioso, ocasião para desligar do
judaísmo uma nova religião — a cristã. Paulo, um judeu romano de Tarso, apoderou-se
desse sentimento de culpa e o fez remontar corretamente à sua fonte original. Chamou
essa fonte de ‘pecado original’; fora um crime contra Deus, e só podia ser expiado pela
morte. (Pág. 48)
Se Moisés foi o primeiro Messias, Cristo tornou-se seu substituto e sucessor, e
Paulo poderia exclamar para os povos, com certa justificação histórica: Olhai! O
Messias realmente veio: ele foi assassinado perante vossos olhos!’ Além disso, também,
existe um fragmento de verdade histórica na ressurreição de Cristo, pois ele foi o
Moisés ressurreto e, por trás deste, o pai primevo retornado da horda primitiva,
transfigurado e, como o filho, colocado no lugar do pai. O pobre povo judeu, que, com
sua obstinação habitual, continuava a repudiar o assassinato do pai, expiou-o
pesadamente no decurso do tempo. Defrontou-se constantemente com a recriminação:
‘Vocês mataram nosso Deus!’ E essa censura é verdadeira, se for corretamente
traduzida. Colocada em relação com a história das religiões, ela diz: ‘Vocês não
admitem que mataram Deus (a figura primeva de Deus, o pai primevo, e suas
reencarnações posteriores).’ Deveria haver um acréscimo, declarando-se: ‘Fizemos a
mesma coisa, é verdade, mas o admitimos, e, desde então, fomos absolvidos.’ (Pág. 50)
Freud compara a conformidade entre o indivíduo e o grupo, “o que é esquecido
não se extingue, mas é apenas ‘reprimido’, seus traços mnêmicos estão presentes, mas
isolados por anticatexias”.
A RENÚNCIA AO INSTINTO, ID-EGO-SUPEREGO
Se o id de um ser humano dá origem a uma exigência instintual de natureza
agressiva ou erótica, o mais simples e natural é que o ego, que tem o aparelho de
pensamento e o aparelho muscular à sua disposição, satisfaça a exigência através de
uma ação. Essa satisfação do instinto é sentida pelo ego como prazer, tal como sua não
satisfação indubitavelmente se tornaria fonte de desprazer. Ora, pode surgir um caso em
que o ego se abstenha de satisfazer o instinto, por causa de obstáculos externos, a saber,
se percebesse que a ação em apreço provocaria um sério perigo ao ego. Uma abstenção
da satisfação desse tipo, a renúncia a um instinto por causa de um obstáculo externo —
ou, como podemos dizer, em obediência ao princípio da realidade —, não é agradável em caso algum. A renúncia ao instinto conduziria a uma tensão duradoura, devida ao
desprazer, se não fosse possível reduzir a intensidade do próprio instinto mediante
deslocamentos de energia. A renúncia instintual, contudo, pode também ser imposta por
outras razões, as quais corretamente descrevemos como internas. No curso do
desenvolvimento de um indivíduo, uma parte das forças inibidoras do mundo externo é
internalizada e constrói-se no ego uma instância que confronta o restante do ego num
sentido observador, crítico e proibidor. Chamamos essa nova instância de superego.
Doravante o ego, antes de colocar em funcionamento as satisfações instintuais exigidas
pelo id, tem de levar em conta não simplesmente os perigos do mundo externo, mas
também as objeções do superego, e terá ainda mais fundamentos para abster-se de
satisfazer o instinto. Mas onde a renúncia instintual, quando se dá por razões externas, é
apenas desprazerosa, quando ela se deve a razões internas, em obediência ao superego,
ela tem um efeito econômico diferente. Em acréscimo às inevitáveis consequências
desprazerosas, ela também traz ao ego um rendimento de prazer — uma satisfação
substitutiva, por assim dizer. O ego se sente elevado; orgulha-se da renúncia instintual,
como se ela constituísse uma realização de valor. Acreditamos que podemos entender o
mecanismo desse rendimento de prazer. O superego é o sucessor e o representante dos
pais (e educadores) do indivíduo, que lhe supervisionaram as ações no primeiro período
de sua vida; ele continua as funções deles quase sem mudança. Mantém o ego num
permanente estado de dependência e exerce pressão constante sobre ele. Tal como na
infância, o ego fica apreensivo em pôr em risco o amor de seu senhor supremo; sente
sua aprovação como libertação e satisfação, e suas censuras como tormentos de
consciência. Quando o ego traz ao superego o sacrifício de uma renúncia instintual, ele
espera ser recompensado recebendo mais amor deste último. A consciência de merecer
esse amor é sentida por ele como orgulho. Na época em que a autoridade ainda não fora
internalizada como superego, poderia ter havido a mesma relação entre a ameaça de
perda do amor e as reivindicações do instinto; havia um sentimento de segurança e
satisfação quando se conseguia uma renúncia instintual por amor ao país. Mas esse
sentimento feliz só poderia assumir o peculiar caráter narcísico de orgulho depois que a
própria autoridade se tivesse tornado parte do ego. (Pág. 65)
A religião que começou com a proibição de fabricar uma imagem de Deus
transforma-se cada vez mais, no decurso dos séculos, numa religião de renúncias Retornando à ética, podemos dizer, em conclusão, que uma parte de seus
preceitos se justifica racionalmente pela necessidade de delimitar os direitos da
sociedade contra o indivíduo, os direitos do indivíduo contra a sociedade, e os dos
indivíduos uns contra os outros. Mas o que nos parece tão grandioso a respeito da ética,
tão misterioso e, de modo místico, tão auto-evidente, deve essas características à sua
vinculação com a religião, à sua origem na vontade do pai.
O QUE É VERDADEIRO EM RELIGIÃO O RETORNO DO
REPRIMIDO
Descobrimos que o homem Moisés imprimiu nesse povo esse caráter dando-
lhes uma religião que aumentou tanto sua auto-estima que ele se julgou superior a todos
os outros povos. (1) permitiu ao povo participar da grandiosidade de uma nova ideia de
Deus, (2) afirmou que esse povo fora escolhido por esse grande Deus e destinado a
receber provas de seu favor especial, e (3) impôs ao povo um avanço em
intelectualidade que, bastante importante em si mesmo, lhe abriu o caminho, em
acréscimo, à apreciação do trabalho intelectual e a novas renúncias aos instintos. (Pág. 68)
A fim de não perdermos a vinculação com nosso tema, devemos manter em
mente o fato de que, no início de tal curso de acontecimentos, há sempre uma
identificação com o pai na primeira infância. Esta é posteriormente repudiada e até
mesmo supercompensada, mas, ao final, mais uma vez se estabelece. (Pág. 70)
Verdade histórica o desenvolvimento histórico
Tentemos abordar o assunto a partir da direção oposta. Compreendemos como
um homem primitivo tem necessidade de um deus como criador do universo, como
chefe de seu clã, como protetor pessoal. Esse deus assume posição por trás dos pais
mortos [do clã], a respeito de quem a tradição ainda tem algo a dizer. Um homem de
dias posteriores, de nossos próprios dias, comporta-se da mesma maneira. Também ele
permanece infantil e tem necessidade de proteção, inclusive quando adulto; pensa que
não pode passar sem o apoio de seu deus. (Pág. 71)
Saulo de Tarso (que, como cidadão romano, chamava-se Paulo), que a
compreensão pela primeira vez emergiu: ‘a razão por que somos tão infelizes é que
matamos Deus, o pai,’ E é inteiramente compreensível que ele só pudesse apreender
esse fragmento de verdade no disfarce delirante da boa notícia: ‘estamos libertos de toda
culpa, uma vez que um de nós sacrificou a vida para absolver-nos.’ Nessa fórmula, a
morte de Deus naturalmente não foi mencionada, mas um crime que tinha de ser
explicado pelo sacrifício de uma vítima só poderia ter sido um assassinato. E o passo
intermediário entre o delírio e a verdade histórica foi proporcionado pela garantia de
que derivou da fonte da verdade histórica, essa nova fé derrubou todos os obstáculos. O sentimento bem- aventurado de ser escolhido foi substituído pelo sentimento liberador
da redenção. Mas o fato do parricídio, retornando à memória da humanidade, teve de
superar resistências maiores do que o outro fato, que constituíra o tema geral do
monoteísmo; ele também foi obrigado a submeter-se a uma deformação mais poderosa.
O crime inominável foi substituído pela hipótese do que deve ser descrito como um
indistinto ‘pecado original’. (Pág. 75)
O pecado original e a redenção pelo sacrifício de uma vítima tornaram-se as
pedras fundamentais de nova religião fundada por Paulo. Deve permanecer incerto se
houve um cabeça e instigador ao crime entre o bando de irmãos que se rebelou contra o
pai primevo, ou se tal figura foi criada posteriormente pela imaginação de artistas
criativos, a fim de se transformarem em heróis, tendo sido então introduzida na tradição.
Após a doutrina cristã ter queimado a estrutura do judaísmo, recolheu componentes de
muitas outras fontes, renunciou a uma série de características do monoteísmo puro e
adaptou-se, em muitos pormenores, aos rituais de outros povos mediterrâneos. Foi como
se o Egito mais uma vez se vingasse dos herdeiros de Akhenaten.
Vale a pena notar como a nova religião lidou com a antiga ambivalência na
relação com o pai. Seu conteúdo principal foi, é verdade, a reconciliação com o Deus
pai, a expiação pelo crime cometido contra ele, mas o outro lado da relação emocional
mostrava-se no fato de o filho, que tomara a expiação sobre si, tornar-se um deus, ele
próprio, ao lado do pai, e, na realidade, em lugar deste. O cristianismo, tendo surgido de
uma religião paterna, tornou-se uma religião filial. Não escapou ao destino de ter de
livrar-se do pai. (Pág. 76)
1. Conclusão do ensaio Moises...
A alternância na obra de Freud entre a pesquisa médica e teoria da cultura
testemunha a amplitude do projeto freudiano. Aliás, é na última parte da obra de Freud,
onde são acumulados os grandes textos sobre a cultura. Moisés e o monoteísmo é
apenas um fragmento de um importante trabalho de Freud que propôs aplicar o método
psicanalítico para a Bíblia, é a teoria necessária para sua revisão de um assassinato
real. A transição do totemismo ao monoteísmo, exigiu a renovação do crime, a fim de
fortalecer e sublimar a figura do pai, aumentar a culpa, exaltar a reconciliação com o pai
e mais tarde com o cristianismo, para ampliar a figura de substituição do filho. A morte de Cristo seria um outro endosso das origens da memória, enquanto a pascoa ressuscita
Moises, a religião de Paulo, finalmente, iria completar este retorno do reprimido, o que
leva à sua origem pré-histórica e dando o nome de pecado original: que ele tinha
cometido um crime contra Deus e só a morte poderia repará-lo. Ao mesmo tempo
coloca aqui sua antiga hipótese de rebelião filial: o culpado principal deveria ser o
Redentor, chefe da horda fraternal, o mesmo herói rebelde da tragédia grega. "Com ele
retorna o pai primevo da horda primitiva, certamente transfigurado e havendo tomado
como filho, o lugar de seu pai." Apenas a repetição de uma morte real permitiu obter
esse efeito de reforço, que Freud atribuiu totem à Deus. Mas a religião, aliás, não é
pura ilusão, já que inclui "reminiscências históricas importantes." E, Moisés e a
religião monoteísta, fala neste sentido de um "núcleo de verdade na religião." Por que
essa insistência sobre a realidade das memórias? Para dar uma analogia com o
fundamento real da religião e neurose obsessiva. De fato, se a analogia entre a ilusão e o
sonho é baseado em caráter paternal, a analogia do complexo da criança entre religião e
neurose deve ter a mesma base. Se é verdade que, "a criança humana não pode realizar
o seu desenvolvimento cultural sem passar por uma fase mais ou menos definido de
neurose." O futuro de uma ilusão, é a ideia de orientação de Moisés ao monoteísmo. A
principal ocasião da correspondência entre o fenômeno da latência característica da
neurose e "fenômeno latência" que Freud acredita ter descoberto na história do
judaísmo, incluindo o assassinato de Moisés e do surgimento da religião Moisés, no
tempo dos profetas. "Além disso, a espécie humana está sujeita a processos de conteúdo
agressivo-sexual que deixam vestígios permanentes, mas foram descartados e
esquecidos em sua maioria. Mais tarde, depois de um longo período de latência, esses
processos são reativados, produzindo fenômenos comparáveis na sua estrutura e a sua
tendência para sintomas neuróticos " A psicanálise faz analogia, fundada na religião; é,
sem dúvida, o exemplo mais marcante da interação dentro da obra de Freud, a
interpretação dos sonhos e neuroses, e hermenêutica da cultura. A interpretação dos
sonhos, quando a análise descobre no sonho "nossos velhos desejos", "o desejo
indestrutível". A repetição em todos os retornos, narcisismo sublime ou não, escritos
que vão desde Totem e Tabu para Moisés e o Monoteísmo continua falando sobre
repetição: a instância que impulsiona o homem a superar o desejo da criança é a mesma puxando-o de volta.
A religião é, para Freud, na repetição monótona de suas próprias origens. É um
eterno chutar no chão de sua própria história arcaica. A eucaristia cristã repete a
refeição totem, como a morte de Cristo repete o profeta Moisés, que repete a morte do
pai original. A epigenesis do problema da incredulidade do homem é solucionado
apenas com a repetição, equivale constituir um sentimento religioso, uma rejeição de
qualquer consideração sobre o que pode ser uma transformação do desejo e medo ao
"retorno do reprimido". No primeiro estudo de Moisés e o Monoteísmo, se Moisés era
egípcio, Deus teve que tomar uma religião ética constituída, assim como no culto de
Aten, construído, sobre o modelo do faraó Akhenaten. Coloca em pleno vigor o enigma
de um deus "político", quer dizer, um deus que define o pacto social e, portanto,
levanta-se sobre o mérito do desejo e do medo para manter uma relação mais estreita
com a reconciliação entre os irmãos com o assassinato do pai. Neste sentido, pode-se dizer que o desejo, em vez de medo, é o criador da religião.
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