segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A evolução dos cosméticos e o comportamento social ao longo da história

Frascos de perfumes,ungüento e pinturas corporais estavam entre os objetos preciosos deixados para o imaginado uso futuro das múmias egípcias.  O museu britânico tem artigos de toalete primorosamente entalhados, datados de cerca de 3500 a.C. Todas as civilizações conhecidas usavam cosméticos _tanto para homens como para mulheres _,mas o estilo e a intensidade do uso variam bastante.  É surpreendente que Luiz XVI desdendasse os cosméticos, enquanto era a favor de uma ampla variedade de indumentária e outras artes decorativas. As mulheres da corte da Inglaterra elisabetana achavam atraente branquear suas faces modo a parecerem cadavéricas. Os puritanos da Nova Inglaterra do início não aprovaram os cosméticos e eram a favor da aparência simples.  Nos 150 primeiros anos da história americana,  o uso do ruge e batom aparentemente se restringia às mulheres nos extremo aspectro social-aristocratas e prostitutas.

Nos Estados Unidos, a história dos cosméticos e das indumentárias está inexplicavelmente ligada à do gênero sexual. Historiadores de cosméticos e trages americanos dedicam a maior parte de sua atenção às mulheres, que são as principais profissionais das artes decorativas humanas. Katherine Peiss vê a evolução do uso que as mulheres fazem de cosméticos como reflexo das tremendas mudanças porque passou sua identidade social:

  "No começo do século XX  (...) os cosméticos ganharam novos significados na cultura americana.  Tornaram-se parte de um discurso corrente sobre feminilidade que tornou problemática a identidade da mulher em um mundo cada vez mais comercial,industrial e urbano. As mulheres relacionaram o uso de cosméticos à noção emergente sobre sua própria identidade, que incluía o trabalho assalariado ,atletismo, lazer,expressão sexual mais livre e  maior consumo individual.  Ao mesmo tempo, novas formas de cultura de massas moldaram esse discurso, quando as mulheres começaram a ver suas faces de maneira diferente em uma variedade de espelhos culturais novos: em filmes,em revistas femininas de grande público, em vitrines,em passarelas de moda e nos balcões das lojas de departamentos."
 (Katherine Peiss,1990, p.143)

 A primeira Guerra Mundial mudou todo o drama da civilização ocidental de maneira irreversível. A guerra foi a maior demonstração de estupidez coletiva que o mundo jamais havia visto.  Que tantas pessoas pudessem participar de uma luta mortal com tantos outros, por nenhum motivo claro, foi uma lição duradoura sobre a falência da velha ordem moral e um convite à experiência com novas formas e estilos. Freud foi forçado a admitir a existência humana de um instinto destrutivo nos seres humanos _uma força contrária à crescente força vital de Eros.

Entre as modificações produzidas pela guerra, nos Estados Unidos, estava a ampla liberação dos experimentos com as formas de novos cosméticos _principalmente para mulheres.  O movimento de sufrágio feminino conseguiu voto em 1919,em 1921 o primeiro concurso de Miss América foi realizado em Atlantic City. A partir disso,no século XX, as mulheres começaram a ser levadas mais a sério e ao mesmo tempo lhes foi permitindo e encorajado que se transformassem em objetos de Beleza. Se essas parecem tendências contraditórias ,o elemento comum é a nova oportunidade e até a obrigação de às mulheres diversificarem os papéis que poderiam ser chamadas a desempenhar.

Desde a Primeira Guerra Mundial, as mulheres necessitavam de guarda-roupas maiores e coleção maior de cosméticos em suas penteadeiras. As suas exigências de cosméticos excederam amplamente as dos homens.  Ao mesmo tempo, e sem paradoxo, as mulheres se aproximaram muito mais dos homens em status de ocupação, em poder de ganho, em proezas atléticas e em influências políticas e nos negócios.  Digo sem paradoxos porque sugiro que as mesmas forças que impediram as mulheres de se maquiarem também as impediram de escapar do domínio da igreja, das crianças e da cozinha.  Essas modificações paralelas, social-psicologicas e no modo de apresentação, aparecem em contraste com o que é chamado de "a grande renúncia masculina " na Europa e Estados Unidos do final do século XVIII_Quando homens sérios abandonaram a afetação e o refinamento elaborado em favor de um uniforme mais sóbrio, a fim de acompanhar a recente noção ermegente de que o trabalho não devia ser desprezado e a percepção de que o trabalho não poderia ser realizado com facilidade dentro das vestimenta masculinas elaboradas do Velho Regime aristocrata. 
Enquanto, no século XIX, aconcelhava-se as mulheres que buscassem o ideal da beleza física através de exercícios morais e hábitos puros de vida, o século XX produziu a superabundância de atalhos instrumentais. Nas últimas décadas, deu-se ênfase em participar ao "culto da magreza "_concentrada de novo principalmente nas mulheres.  O controle de peso é uma preocupação constante de muito mais da metade da população feminina.  É comum que as meninas comecem a se preocupar com seu peso antes de chegar a puberdade.  Uma das principais consequências do crescente poder do ideal da magreza é a crescente incidência de psicopatologias ligadas à alimentação.  O número de mulheres que se encaixam no diagnóstico de distúrbios alimentares mais do que dobrou entre 1970 e em meados 1990 (pesquisas de Smolak, Levine e Striegel-Moore, 1996) . Em 1972, 23% das mulheres relatavam insatisfações com a imagem de seu corpo;  esse número se elevou para 48%  em 1995. Estão entre as críticas feministas que admitem e denunciam a tirania da exigência da magreza e ao mesmo tempo descrevem a lacuna entre o ideal e a realidade está cada vez mais ampla.

Se a luta contra corpos gordos tem sido desencorajadora,também foram conseguidas algumas vitórias cosméticas admiráveis.  A ortondontia é produto do século XX.  As fotografias de homens e mulheres do século XIX não mostram sorrisos com dentes nas fotos:
Se formos comparar as fotos de filósofos do século XIX,  ao XX percebe-se que as pessoas raramente sorriem. Um dos cosméticos que fizeram bem aos dentes e proporcionará maior saúde dental foi os cremes dentais produzidos em grande escala comerciais , Após o uso da difusão da pasta de dente, pó dentifricio e escovas de dentes iniciadas na virada do século XX, Tornaram-se regras as pessoas tirarem fotografias com seus dentes a mostra ,os dentes tortos, falhos e rupturas ou um tipo de má formação nos dentes deixavam os povos do século XIX, com vergonha e sempre em fotos antigas as personalidades históricas demonstram seriedade em seu semblantes , observe um exemplo dos filósofos antigos e atuais logo na foto acima, desde que a odontologia evoluiu temos a disposição desde enchaguantes bucais, a estéticas em clínicas especializadas que desenvolvem aparelhos para os dentes deixando-os cada vez mais brancos, fortes , saudáveis e bonitos.

A maioria das pessoas hoje mostra os dentes quando sorri. Dentes alinhados e perfeitos Tornaram-se a norma, mas não sem esforços e gastos.

As invenções médicas e cirúrgicas tornaram mais possíveis melhoras cosméticas que,antigamente, estavam simplesmente fora de questão.  A Lipoaspiração podem remover as gorduras indesejadas. Olhos ,orelhas,narizes, e bocas podem ser consertados até que atinjam a simetria desejada e formas e ideais ao gosto da pessoa.
A estética da adoração dos cosméticos também viraram um motivo de hobbie a algumas celebridades um dos exemplos é:Dennis Avner, conhecido como o «homem-gato», morreu no dia 5 de novembro, de 2012 com apenas 54 anos. 

A causa da morte do transformista, que realizou incontáveis cirurgias e intervenções para se parecer com um felino, não foi divulgada mas de acordo com o site Flayrah, tratou-se de suicídio.

Os queixos podem ser fortificados, rugas removidas,papadas eliminadas. Implantes e reduções mamárias são agora a febre do século XXI, agora também são completados com reajustes barriga e o bumbum. Michael Jackson não teve pruridos em descartar a sua aparência "imperfeita " anterior assim como Cher. (Foto)
 Hoje,qualquer pessoa que possa pagar tem potencial para ficar linda ou talvez bizarras ,Antigamente,  a aparência atraente não era questão de bênçãos recebidas. Agora não mais.

A grande maioria dos que opitam por cirurgia cosméticas são mulheres.  Uma pesquisa realizada por meio de entrevistas sobre argumentação racional dada para a realização da cirurgia cosmética revelou que os cirurgiões demonstram fortes preconceito para realizar o procedimento em homens ." Nas entrevistas com cirurgiões e ex-pascientes, encontramos afirmações implícitas de que o que era 'normal' ou 'natural ' para uma mulher não era normal ou natural para um homem  (Dull e West, 1991, página 64).

A manifestação em relação ao sexo não é dada tanto pela natureza quando conseguida pela manipulação proposital das aparências _manipulação que tanto homens quanto mulheres procuram apoiar.

Os problemas dessa nova capacidade são éticos ,estéticos e plenamente psicológicos.  Susan Bordo ,escrevendo sobre a "menina materialista" propõe que a possibilidade dessa nova plasticidade transformou profundamente o modo como as mulheres se consideram. No mínimo, é homogeneizadora : " O fato de que estamos cercados por imagens, homoneigenizadoras e normalizadoras_imagens cujo conteúdo está longe de ser arbitrário, pois está banhando no domínio da incognografia de gênero, raça, classe e outras definições culturais_parece tão óbvio que chega a ser quase embaraçoso discuti-lo aqui". ( Susan Bordo página 657.)

A eliminação da consistência do caráter como critério moral parece ser uma das principais características do que é chamado de pós-modernismo.  Portanto, Madona surge como ícone da mulher ideal de nossa época.  Ela pode ter relações sexuais sempre é com quem quiser _pode ter filhos, casar ou não casar, brincar de Pornografia à noite e recuperar sua inocência andrógina de dia.

Após um ensaio sensual, para uma linha de roupas para sexyshops, Madona também estampou calendários Norte Americanos também para alguns é considerada o maior símbolo sexual pela sua beleza.

domingo, 6 de agosto de 2017

Quem era Mona Lisa?


Não é o que parece. Uma das obras de arte que mais chamou a atenção durante anos foi o quadro " A mona lisa " de Leonardo Da Vinci,um pesquisador italiano Silvano Vicenti ,presidente do comitê nacional para valorização dos bens históricos ,cuja a tese è refutada por especialistas do Louvre,de acordo com Vicenti Monalisa seria um jovem homem chamado Salai cujo o verdadeiro nome era Gian Giacomo Caprotti ,um modelo célebre da pintura.o rapaz teria começado a trabalhar aos 16 anos com Da Vinci o historiador afirma que Salai era um possível amante de Leonardo da Vinci que também era conhecida como Gioconda.Segundo Vicenti,os dois homens mantiam relações sexuais é possível que fossem amantes,o pesquisador ao analisar quadros de "São João Batista" e o de "Ângelo Incarnato" nota-se que o nariz e a boca são semelhantes ao de Mona Lisa. Salai era o modelo favorito de Leonardo.E ele certamente utilizou algumas características do jovem em sua última versão da Monalisa;afirmou Vicenti,ele explica que o artista deixou indícios disso ao pintar o quadro como os olhos da Gioconda com a letra "L" de Leonardo; e uma "S" de Salai. O italiano assegura que sua equipe se baseou em uma análise de reproduções digitais de grande qualidade para chegar a estas conclusões. Mas o Louvre,contesta essa tese o quadro foi submetido a análises de 2001 a 2009 e não foi encontrado nenhuma letra ou cifra durante esses exames. Outro que também discorda da teoria de Silvano Vicenti, é um especialista em história da arte; Pietro Marani ,classificou que ao analisar documentos históricos classificou a tese como infundada,pois três documentos comprovam que a grande influência por trás da pintura foi Lisa Gherardini, esposa do mercador Francesco del Giocondo.

"A exumação dos cadáveres de Leonardo e Monalisa;

Diante de várias teorias conspiratórias um grupo de pesquisadores italianos quer exumar os corpos de Leonardo e Mona Lisa,o antropólogo da universidade de Bolonha Geórgio Gruppioni, è quem vai coordenar as pesquisas sobre o misterioso rosto de Mona Lisa, teorias mostram três lados da suposição envolvendo o mistério de Monalisa a teoria mais aceita pelo Louvre é que Monalisa seria a mãe de Leonardo ou esposa de um Mercador de Florença. Restos Mortais Os cientistas terão um grande desafio para recriar os rostos de monalisa e Leonardo, o primeiro a ser exumado será Da Vinci que morreu em 1519 aos 67 anos ,e teria sido enterrado no castelo de Amboise,no Vale de Loire, na França.Os proprietários do imóvel devem abrir as portas para os estudos do próximo mês. Essa notícia foi publicada pelo jornal BBC do dia 27 de Janeiro de 2010."

 Notícia de 24/09/2015,publicada pelo G1:

Arqueólogos começaram a procurar o corpo de Lisa Gherardini retratada como a Monalisa.. "Pesquisadores italianos afirmam que nessa quinta feira (24) que podem ter encontrado fragmentos dos ossos pertencentes a mulher imortalizada por Leonardo Da Vinci Mona Lisa. Os limites da tecnologia atual no entanto,não permitem dizer com clareza de que os restos mortais são de lisa Gherardini esposa do mercador Francesco Del Giocondo que acredita ter posado para Leonardo." (.....) "Embora a identidade da mulher não seja certa,muitos historiadores crêem ser provável que se trata de Lisa Gherardini, e Arqueólogos começaram a procurar em um convento onde estão a tumba da família Giocondo em uma igreja de Florença para tentar obter comparação de DNa. " 

Bom a história misteriosa envolvendo Monalisa são diversas e trabalham com várias teorias conspiratórias o quadro sempre chamou a atenção de historiadores a mais de 400 anos ,na história com várias suposições e teorias surgem diversas possibilidades ou até a não existência de Mona Lisa

,muitos acreditam não existir que se trata apenas de uma obra,outros dizem ser mãe do artista e alguns acreditam ser um garoto chamado Salai amante de Leonardo ou esposa do mercador de Florença...Afinal quem era a Monalisa?

Regulamento do Pensamento


Regulando o Pensamento O método, nas várias formulações que recebeu no decorrer da história da filosofia e das ciências, sempre teve o papel de um regulador do pensamento,isto é, verificador e avaliador das idéias e teorias:guia o trabalho intelectual e avalia os resultados e obtidos. Desde Aristóteles, a Filosofia considera que ,ao lado de um método geral que todo e qualquer conhecimento deve seguir ,outros métodos particulares são necessários, pois,assim,haverá diferentes métodos conforme a especialidade do objeto conhecido.Dessa maneira,são diferentes entre si os métodos da geometria e da física, da biologia e da sociologia,e assim por diante.

É interessante notar,todavia,que,em certos períodos da história da filosofia e das ciências, chegou-se a pensar num método único para todos os campos do conhecimento.Assim,Galileu julgou que o método matemático deveria ser usado em todos os conhecimentos da natureza,pois,dizia ele "a natureza é um livro escrito em caracteres matemáticos".

Descartes indo mais longe que galileu,julgou que um só e mesmo método deveria ser empregado pela filosofia e por todas as ciências, uma "mathesis universalis",ou conhecimento da ordem necessária das idéias, válida para todos os objetos de conhecimento.

Conhecer seria ordenar e encadear nexos contínuos as idéias referentes a um objeto,e tal procedimento deveria ser o mesmo em todos conhecimentos porque esse é o modo próprio do pensamento,seja qual for o objeto a ser conhecido.

Os filósofos e cientistas do fim do século XIX também afirmavam que um único método deveria ser seguido.Entusiasmados com o desenvolvimento da física,julgaram que todos os campos do saber deveriam empregar o método usado pela "ciência da natureza " mesmo quando o objeto fosse homem.

Agora,não era tanto o conceito de ordenamento interno das idéias que levava à defesa de único método de conhecimento,mas a causalidade ou da explicação casual de todos os fatos,fossem eles naturais ou humanos.





O Complexo de Cyrano Bergerac

Cyrano Bergerac tinha um problema _mas tinha também muita arrogância.  Ciente de seu nariz e oprimido por ver nisso uma incapacidade de, ele representava um dilema para seus interlocutores. Será que deveriam olhar para ele_e assim confirmar sua consciência sobre sua desfiguração?  Ou deveriam dissimular _olhar para o outro lado como se ele não tivesse característica saliente? De qualquer forma, a raiva de Cyrano seria totalmente justificada. Quando não há meio de encontrar ou evitar o olhar de uma pessoa com problemas e arrogância, essa pessoa tem a vantagem de Cyrano.

Apesar de sua eloquência, a paixão de Cyrano permaneceu em segredo para a sua amada Roxanne, pois foi eternamente impedido por seu próprio sentido de incapacidade e medo de rejeição, caso revelasse o que passava em seu coração.  Ele morreu de modo patético _negando obstinadamente para si mesmo a confissão do amor que teria tornado sua vida completa.  Aqui, o pathos dramático está claramente conectado, através da origem grega, à patologia _o sofrimento trazido somente pelas circunstâncias.  O complexo de Cyrano tem um custo terrível.

Goffman observou a difusão desse dilema entre aqueles que interagem com pessoas estigmatizadas e fisicamente incapacitados:

      "Sentimos que a pessoa estigmatizada ou é agressiva ou muito envergonhada, e ,em ambos os casos, rápida demais na leitura significados não intencionais em nossas ações.  Nós mesmos podemos sentir que, se mostrarmos diretamente simpatia por sua condição, podemos estar nos excedendo; e, no entanto, se realmente esquecemos que ela tem um problema, provavelmente lhe faremos exigências impossíveis ou desrespeitaremos inadvertidamente seus colegas de sofrimento.  Quando estamos com ela sentimos que está ciente, ciente de que nós estamos cientes e mesmo ciente de nosso estado de consciência sobre a sua consciência; está então montado o palco para a repetição infinita de consideração mútua que a psicologia social de Mead diz como iniciar ,mas não como finalizar.  (Goffman página 18 , 1963)

O complexo de Cyrano coloca a pessoa em estigma em posição de superioridade moral, pelo menos temporariamente.  Mas essa posição tem seu custo. Um estudante brilhante, que teve sua perna amputada devido a um câncer,  dirá que freqüentemente, se perguntava como outros estudantes viam a sua enfermidade. Normalmente ele preferia não chamar atenção sobre sua perna artificial.  Mas,então, como poderia explicar que mandava ou sua incapacidade de participar de certas atividades estudantis, como um jogo de futebol?  Com o tempo, percebeu que sua incapacidade lhe conferia certa arrogância e que tinha direito a ela. Justificava a relutância em se colocar no papel dos outros porque ele estava convencido que era incapaz jogar futebol. O resultado foi uma distância moral entre ele e seus colegas e certa amargura entre os lados.

O complexo de Cyrano é ,ao mesmo tempo,psicológica e dramática.  Pode ser, simplesmente ,uma etiqueta que a maioria de nós já enfrentou. Mas pode e deveria ser o tipo de coisa que provoca reflexão e análise mais profunda do psicológico.  O desafio é encontrar pessoas com câncer terminal ,idosa, ou inválida _em  um nível que lhe confira respeito e dignidade ,mas que não seja nenhum pouco condescendente.  Não é fácil.
   Cyrano Bergerac é um personagem fictício do autor francês : Edmund Rostand
 Frases de quem sofre no complexo de Cyrano:

"Sou muito feio ou feia para essa pessoa , vou desistir de conquista-la"

"Sou pouco inteligente para passar em um vestibular vou desistir "

"Sou muito baixo ou baixa para essa pessoa de estatura alta ,vou desistir de declarar"

 "Esse post é uma dedicatória as pessoas com baixa auto-estima : Não seja como Cyrano seja você mesmo , se seu sonho está distante e impossível lute para torná-la certo e vivido "

 (Cleiton Luiz )

 Cyrano Bergerac é uma peça teatral A peça inteira é escrita em forma de poema, com pares de versos rimados. Os primeiros quatro atos passam-se em 1640, e o quinto é em 1655.

Cyrano de Bergerac é um herói romântico, que combate a covardia, a estupidez e a mentira. Ele ama a sua prima, Madeleine Robin (Roxane), uma rapariga inteligente, mas um tanto pedante, que gosta de ser cortejada com palavras bonitas e originais.

O jovem Cristiano também a ama, mas não sabe falar com brilhantismo, ao contrário de Cyrano, que tem o dom da palavra. Cyrano, sem esperanças de conquistar a prima, em razão de ser bastante feio, resolve ajudar Cristiano a conquistá-la através das palavras.

Cyrano ensina a Cristiano observações espirituosas, poesia, e até fala por ele, às escondidas, fazendo com que Roxane o ame. Um terceiro homem, porém, corteja-a; o duque de Guiche, que interfere mandando Cristiano e Cyrano para o Cerco de Arras, um violento combate ocorrido nas guerras religiosas de França.

Cyrano continua a escrever cartas a Roxane, em nome de Cristiano, e ela vai ao seu encontro à batalha, encontrando Cristiano agonizante, ferido em combate. Viúva, Roxane recolhe-se a um convento, onde recebe continuamente a visita de Cyrano.

Um dia, Cyrano é mortalmente ferido, mas consegue chegar até a amada, e conta-lhe o sentimento que sempre nutriu por ela. Roxane chora “um amor duas vezes perdido”, percebendo, no último instante, que o amava.

sábado, 5 de agosto de 2017

Filosofia e vida De Gurdjieff

Gurdjieff nasceu em 1877 em Kars do Ponto, de pais que eram ambos os gregos (Ioannis Georgiadis e Evdokia Eleftheriadou). Sua vida foi episódica. Durante vinte anos vagou no Oriente Médio e na Ásia, alcançando lugares inacessíveis aos ocidentais. Lá ele conheceu muitos mestres espirituais de diferentes religiões. Quando voltou, antes da Primeira Guerra Mundial, em torno dos estudantes se reuniram em Moscou e São Petersburgo. Com a Revolução Russa esquerda e continuou seu trabalho viajando em Tbilisi, Istambul, Berlim e Londres. Em 1922 ele se mudou para a Torre de Prieuré, perto de Paris, onde discretamente se aproximou de um grande número de estudantes de todas as partes do mundo. Ele morreu em 1949, em Paris.

Uma vez que apareceu em Moscou em 1912 para os últimos dias de 1949, Georgios Georgiadis que era conhecido como Gurdjieff parece ser movido sob o encorajamento persistente sentiu a estabelecer nas mentes dos alunos um sistema de conhecimento amplo e prático. Seu trabalho é incrível. O diretor Peter Brook, que fez suas reuniões de filmes com pessoas notáveis, registrando aventuras juvenis, descreve-o como "axiotero e autêntico homem do mundo moderno."

Gurdjieff é um filósofo no velho sentido da palavra, na forma como eles eram filósofos Platão e Pitágoras. Ele deu vida a uma série de grandes idéias, criando um sistema filosófico que aborda a necessidade das pessoas modernas para a ponte essencial entre leste e oeste abordagem da realidade, entre a ciência moderna e antiga tradição. O pensamento de principalmente abordada a possibilidade de que haja "ninguém trabalhou-se" para o desenvolvimento da consciência dentro dele, ou seja, como entender a si mesmo e do mundo.

O que ele diz não é digerível. O primeiro choque é a garantia de que as pessoas "dormir em pé," que o que eles dizem não se relaciona com o que eles fazem, que a história é um fluxo de eventos aleatórios e incoerentes, o resultado do comportamento inconsciente e mecânica de pessoas. Isso é chamado de "progresso", acreditava ele, é a tecnologia de avanço automático no caso de uma nova invenção traz um outro. Então Gurdjieff nunca viu a mudança como uma oportunidade social massivo. O caminho para ele é "privado" e os esforços necessários para ser feita pelo indivíduo humano para desenvolver a consciência dentro de si, em si mesmo. O "trabalho em si", como ele chamou esse esforço, aumentando a consciência de como cada pessoa, sem perceber, ele participa no fluxo de engenharia da sociedade. A mudança vem através da própria realização da verdade.

Para Gurdjieff muitas palavras eram desnecessárias, mesmo suspeito. "Eu ensino", disse ele, brincando 'que, quando chove, as estradas estão molhadas ". A prática tem sido proposta como a experiência centro batismo contínua, com o objetivo de compreender a verdade sobre si mesmo. E, na prática verifica-se que não é tão fácil como parece.
No entanto, Gurdjieff deu uma imagem completa, rigorosa científica da maneira como o cérebro humano e a mente funciona, o que tem sido caracterizada por Maurice Nicoll, discípulo de Jung, como "o quadro mais completo da psicologia humana que tem ocorrer. " Essas idéias têm abalado o filósofo francês Phillip Mairet a tal ponto que, sem ser um estudante, disse que "nenhum sistema de filosofia do que eles foram publicados no mundo de hoje não pode ser comparado em força e articulação completa com o pensamento de Gurdjieff." Talvez, em última instância, para o grande filósofo grego tem qualquer significado a ser gradualmente compreendido e amplamente aceita os novos elementos que trazem idéias e, assim, contribuir para o surgimento de uma nova forma de pensar, que é tanta necessidade parece ter a nosso mundo. A dificuldade nisso é que o ensino de perde o seu significado se não for acompanhada pela prática do local de prática. Poucos são aqueles que podem finalmente ver além das fantasias coletivas da sociedade, mais cedo ou mais tarde corroer novo a cada nova geração.

Na prática, a maneira de Gurdjieff foi ao ar suas idéias passou por várias fases. Pela primeira vez na Rússia, antes da Revolução de Outubro, ele usou uma linguagem tão clara, não deixando dúvidas sobre o conteúdo de seu pensamento. Nessa altura, o Uspensky, um dos principais discípulos, tomou nota das idéias de Gurdjieff em seu livro Em Busca da admirador Mundial.
Mais tarde, na França e na América, usou uma linguagem mais alegórica e uma metodologia muito mais complexo. Simultaneamente, naquela época ele se tornou o presente que tinha para ensinar, mesmo sem palavras: ensinado em diagramas e símbolos. Ensinada através de danças sagradas que mostraram seus alunos, tornando assim a "ciência dos movimentos" do corpo uma das bases de seu ensino. Ele ensinou o caminho que iria constituir uma empresa rentável, a maneira como você cozinhar e mesa de estrona para dezenas cada vez amigos e conhecidos.

O mundo emocional da brilhou durante a ocupação alemã, quando o diário, sem alarde, cozinhas de sopa secretamente salvas da fome mais de trinta idosos pobres do bairro. Após a libertação e até sua morte cinco anos depois, os estudantes, muitos deles celebridades, reuniram-se lá de todo o mundo, apoiando-o e seus ensinamentos.

Em sua obra épica "tudo e todos" Gurdjieff dá mitos maravilhosas sobre a criação e manutenção do mundo, muitas histórias engraçadas que lembra de Aristófanes. É difícil adivinhar o quanto ele "acreditou" nesses mitos. É o suficiente, no entanto, notar que, no plano simbólico, com destaque para os insights de deixar alguém surpreso quando entende como é consistente com pontos de vista científicos atuais e teorias modernas que eram desconhecidos na época. A este respeito, Gurdjieff e da maneira que desenhou seu conhecimento de estes permanecem um enigma.

De acordo com Gurdjieff que é "sagrado" está aqui, dentro de nosso mundo, na nossa próprio universo material. Seu trabalho vai leis enganchar profundas do universo com observações sobre a anatomia do corpo humano e psicologia. O NVPO ideias formuladas é um modelo filosófico totalmente compatível com enquanto a ciência de hoje, ao mesmo tempo, ele vai muito além disso, em alguns lugares. Constitui uma visão abrangente do mundo que não só não exclui, mas, pelo contrário, realce fortemente a necessidade da dimensão da prática 'metafísica' em nossas vidas diárias.
Talvez, finalmente, a grande oferta de é que ele mostrou que a metafísica e a visão de mundo científica, não só não devem competir uns com os outros, mas ambos são necessários para dar uma resposta substantiva para a pergunta "quem sou ? "e" o que eu faço? "

      A evolução do homem é a evolução de sua consciência. E a consciência não pode desenvolver não conscientemente. A evolução do homem é a evolução da sua vontade, e a vontade não pode tornar-se involuntariamente. A evolução do homem é a evolução do seu poder para fazer e fazendo não pode ser o resultado de coisas que acontecem.
(Gurdjieff )

O complexo de Midas

O mito grego antigo de Midas,  da Frigia, fornece uma lição sobre o excesso da riqueza.  Quando tudo que ele toca vira ouro por causa da piada didática de Dionísio, o rei é levado a ver o valor do comum e a pedir a volta do vinho que pode beber e da comida que pode comer. Lucrécio fez a pergunta: "Por que não se retira como um conviva saciado com o banquete da vida, e com calma, seu bobo,um descanso que não precisa de cuidados?" . A lição da moderação não será aprendida, porque a moderação na prática tende a produzir tédio _como Oscar Wilde compreendeu ao dizer : "A moderação é fatal...nada tem tanto sucesso quanto o excesso ". É possível pregar contra os males do excesso e apontar os incontáveis exemplos dos efeitos da corrupção da riqueza e do poder como lição _Luiz XIV,  Henrique VIII_ mas isso não fará que as pessoas parem de desejar ardentemente riqueza, poder,beleza, dinheiro, fama,e tudo em excesso!

Um dos temas centrais de Jonh Kenneth Galbraith,  em ( A sociedade afluente,1984) ,são as propriedades insidiosas e corrompedoras do nosso caráter.  Somos completamente dependentes de um ciclo de produção e consumo que se acelera cada vez mais _produzir bens e serviços e então criar a necessidade de consumir esses bens e serviços, sendo o crescimento o único índice aceitável de progresso . As lições do vazio do sucesso material estão à nossa volta, mas são poucos os que resumem a sua vida de um modo simples ,sábio, e equilibrado, vivem por um propósito mais autêntico.

O dinheiro é profundamente ambíguo, como observa o filósofo Jacob Needleman em sua obra Money and the Meaning of Life  ( Dinheiro e o significado da vida 1991) . O amor ao dinheiro, analisa, é a raiz de todos os males, e no entanto, o dinheiro é a principal força motora de nossa economia capitalista.  A Igreja cristã, ao mesmo tempo que denuncia a avareza e a gula do excesso, não hesitou em acumular grande riqueza.  Nem o manto da religião é o suficiente para esconder os efeitos corruptores do excesso.  Na Basílica de São Pedro, em Roma, o centro esplendoroso do catolicismo romano: "Jesus choraria" . Freud reconheceu o excesso de consumo já que esse é um ponto turístico onde vários católicos fazem sua visita e gastam suas economias para esse fim,  Freud analisa o dinheiro como excremento humano eram equivalente a valores simbólicos como a adoração.

O excesso vai muito além do dinheiro.  Uma afirmação clássica da sociologia do suicídio é que as classes sociais mais altas têm mais tendência a se matar do que aqueles que ocupam posição social mais baixa e têm menos diversão os sociólogos Henry e Short em 1954, sustenta que o suicídio aumenta conforme as condições sociais melhoram ,enquanto o homicídio é mais alto no momento em que pioram as condições sociais ,mas em 1984 Lester mostrou que esta relação não é tão simples.  Mesmo assim,  a depressão é um problema recorrente da afluência, e  ninguém comprovou que as pessoas mais carentes da sociedade tem menos chances de se matar.

Lester questiona essa tese devido à psicologia, ser privada a sociedade mais carente nos anos 50, aos anos 70, a privação de tratamento psicológico eram para a classe social mais altas na Europa e era comum , analisar somente os comportamentos dessa parcela da população, em vista que as palavras ditas pelos pacientes eram depressivas, melancólicas e suicidas.

"O excesso faz parte da vida humana, pois os desejos inconscientes nunca são saciados quanto mais ele tem mais ele quer, não há como evitar essa natureza premiscua da ciência do excesso"
 (Cleiton Luiz )

  O excesso dos seres humanos se baseia na insatisfação do inconsciente do desejo , quanto mais o ser humano têm mais ele quer isso eu chamo de complexo de Midas:

Midas era um rei que vivia em abundância em seu castelo, junto a sua amada filha. Embora possuísse muitas riquezas, Midas sempre desejava aumentar suas posses. Era tão aficionado pelo seu ouro, que um de seus passatempos favoritos era contar moedas de ouro.

Certa vez Baco (ou Dionísio, deus do vinho) deu por falta de seu mestre e pai de criação, Sileno, enquanto realizavam um passeio. O velho andara bebendo e, tendo perdido o caminho, foi encontrado por alguns camponeses que o levaram ao seu rei, Midas. Midas reconheceu-o, tratou-o com hospitalidade, conservando-o em sua companhia durante dez dias, no meio de grande alegria.

No 13º dia, levou Sileno de volta e entregou-o são e salvo a seu pupilo. Baco ofereceu, então, a Midas o direito de escolher a recompensa que desejasse, qualquer que fosse ela. Midas pediu que “tudo que tocasse virasse ouro”. Baco consentiu, embora pesaroso por não ter ele feito uma escolha melhor.

Midas seguiu caminho, jubiloso com o poder recém-adquirido, que se apressou a pôr em prova. Mal acreditou nos próprios olhos quando viu um raminho que arrancara de um carvalho transformar-se em ouro em sua mão. Segurou uma pedra; ela mudou-se em ouro. Pegou um torrão de terra; virou ouro. Colheu um fruto da macieira; ter-se-ia dito que furtara do jardim das Hespérides.

Sua alegria não conheceu limite e, logo que chegou à casa, ordenou aos criados que servissem um magnífico repasto. Então verificou, horrorizado, que, se tocava o pão, este enrijecia em suas mãos; se levava comida à boca, seus dentes não conseguiam mastigá-la. Tomou um cálice de vinho, mas a bebida desceu-lhe pela boca como ouro derretido, sua filha tocou nele e se transformou em ouro.

Consternado com essa aflição sem precedentes, Midas lutou para livrar-se daquele poder: detestava o dom. Tudo em vão, porém; a morte por inanição parecia aguardá-lo. Ergueu os braços, reluzentes de ouro, numa prece a Baco, implorando que o livrasse daquela destruição fulgurante. Baco, divindade benévola, ouviu e consentiu. “A água corrente desfaz o toque”, disse-lhe Baco, “mergulhas o que tocastes num rio e os objetos em que tocaste voltarão a ser o que eram”. Midas correu a cumprir o que dissera o deus do vinho e, com a água do rio Pactolo, que correu num jarro, foi banhando todos os objetos em que tocara, restituindo-lhes a natureza primitiva, a começar pela própria filha, que ele, então, pôde abraçar sem perigo de torná-la de ouro. Dizem que Midas, ao se abaixar para colher a água na margem do rio, tocou na areia com as mãos e que, por isso, ainda hoje, o rio Pactolo corre por sobre um leito de areias douradas.

 "Eu não sou humano , pois não me cedo ao excesso, mas me rendo aos abraços de minha amada" 

 (Cleiton Luiz )


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Uma Breve História sobre o ateísmo


Apesar do termo ateísmo ter origem na França do século XVI, ideias que seriam hoje reconhecidas como ateístas estão documentadas desde a antiguidade clássica e o período védico.

Escolas ateístas são encontradas no hinduísmo antigo, e existem desde o tempo da religião védica. Entre as seis escolas ortodoxas (āstika e nāstika) da filosofia hindu,Sankhya, o mais antigo sistema filosófico, não aceita Deus, enquanto a antiga Mimamsa também rejeita a noção de divindade, e sustenta que a própria ação humana é suficiente para criar as circunstâncias necessárias à apreciação dos seus frutos.

A completamente materialista e antiteísta escola filosófica Carvaka que se originou na Índia em torno do século VI a.C. é provavelmente a escola de filosofia mais explicitamente ateísta da Índia, similar à escola cirenaica grega. Este ramo da filosofia indiana é classificado como heterodoxo devido à sua rejeição da autoridade dosVedas e não é considerado parte das seis escolas ortodoxas do hinduísmo, mas é notável como evidência de um movimento materialista dentro do hinduísmo. Chatterjee e Datta explicam que a nossa compreensão da filosofia Carvaka é fragmentária, baseada principalmente na crítica das suas ideias por outras escolas, e que não é uma tradição viva:

“Apesar do materialismo de uma forma ou de outra ter estado sempre presente na Índia, e referências ocasionais sejam encontradas nos Vedas, na literatura budista, nos épicos, bem como nas obras filosóficas posteriores, não encontramos nenhum trabalho sistemático sobre o materialismo, nem qualquer escola organizada de seguidores como as outras escolas filosóficas possuem. Mas quase todos os trabalhos das outras escolas mencionam, para refutação, os pontos de vista materialistas. Nosso conhecimento do materialismo indiano baseia-se sobretudo nesses trabalhos.”

Outras filosofias indianas geralmente consideradas como ateístas incluem samkhya clássica e mimāṃsā.  A rejeição de um Deus criador pessoal também é observada no jainismo e no budismo na Índia.

Na Apologia de Platão, Sócrates foi acusado por Meleto de não acreditar nos deuses.

O ateísmo ocidental tem suas raízes na filosofia grega pré-socrática, mas não emerge como uma visão do mundo distinta até o final do Iluminismo. O filósofo grego doséculo V a.C. Diágoras é conhecido como o "primeiro ateu" e é citado como tal por Cícero no seu De Natura Deorum. Crítias via a religião como uma invenção humana usada para assustar as pessoas e fazê-las seguir a ordem moral.  Atomistas como Demócrito tentaram explicar o mundo de uma forma puramente materialista, sem referência ao espiritual ou místico. Entre outros filósofos pré-socráticos, que provavelmente tinham pontos de vista ateístas, incluem-se Pródico eProtágoras. No século III a.C. os filósofos gregos Teodoro, o Ateu e Estratão de Lampsaco  também não acreditavam que deuses existiam.

Antiguidade clássica

Sócrates (c. 471-399 a.C.) foi acusado deimpiedade (ver Dilema de Eutífron) baseado no fato de ele ter inspirado o questionamento dos deuses do Estado.  Embora ele tenha contestado a acusação de que era um "ateu completo", dizendo que não podia ser um ateu, visto que acreditava em espíritos, acabaria por ser condenado à morte. Sócrates também reza a vários deuses no Fedro de Platão e diz "Por Zeus" no diálogo A República.

Evêmero (c. 330-260 aC) publicou sua visão de que os deuses eram apenas os governantes, conquistadores e fundadores do passado deificados, e que os seus cultos e religiões eram, em essência, a continuação dos reinos que desapareceram e das estruturas políticas anteriores. Embora não fosse estritamente um ateu, Evêmero mais tarde foi criticado por ter "espalhado o ateísmo por toda a terra habitada ao obliterar os deuses."

O atomista e materialista Epicuro (c. 341-270 aC) disputou muitas doutrinas religiosas, incluindo a existência de vida após a morteou uma divindade pessoal; ele considerava a alma puramente material e mortal. Embora oepicurismo não tenha descartado a existência de deuses, ele acreditava que, se existissem, eles estavam despreocupados com a humanidade.

O poeta romano Lucrécio (c. 99-55 aC), concordou que, se houvesse deuses, estavam despreocupados com a humanidade e eram incapazes de afetar o mundo natural. Por esta razão, ele acreditava que a humanidade não devia ter medo do sobrenatural. Ele expõe seus pontos de vista epicuristas sobre ocosmos, átomos, alma, mortalidade e religiãoem De rerum natura (em português: "Sobre a natureza das coisas"), que popularizou a filosofia de Epicuro em Roma.

O filósofo romano Sexto Empírico defendia que se deve suspender o julgamento sobre praticamente todas as crenças - uma forma de ceticismo conhecida como pirronismo - que nada era inerentemente mau e que aataraxia ("paz de espírito") é atingível se nos refrearmos de julgar. O volume relativamente grande de obras suas que sobreviveram, teve uma influência duradoura sobre filósofos posteriores.

O significado do termo "ateu" mudou ao longo da antiguidade clássica. Os primeiros cristão seram rotulados como ateus pelos não-cristãos por causa da sua descrença nos deuses pagãos. Durante o Império Romano, os cristãos foram executados por sua rejeição aos deuses romanos em geral e ao culto imperial em particular. Quando o cristianismo se tornou a religião estatal de Roma sob o governo de  Teodósio I em 381, a heresia tornou-se um delito punível.

Início da Idade Média ao Renascimento:

A adoção de pontos de vista ateístas era rara na Europa durante a Alta Idade Média e Idade Média (ver Inquisição medieval); metafísica,religião e teologia eram os interesses dominantes. Houve, no entanto, movimentos deste período que promoveram concepções heterodoxas do Deus cristão, incluindo pontos de vista diferentes sobre anatureza, a transcendência e a cognoscibilidade de Deus. Indivíduos e grupos, tais como João Escoto Erígena, David de Dinant, Amalarico de Bena e os Irmãos do Livre Espírito mantinham pontos de vista cristãos, mas com tendências panteístas. Nicolau de Cusa sustentava uma forma de fideísmo que chamou de docta ignorantia("ignorância aprendida"), afirmando que Deus está além da categorização humana e que o nosso conhecimento de Deus é limitado à conjectura. Guilherme de Ockham inspirou tendências antimetafísicas com a sua limitação nominalista do conhecimento humano para objetos singulares e afirmou que a essência divina não poderia ser intuitivamente ou racionalmente apreendida pelo intelecto humano. Seguidores de Ockham, como João de Mirecourt e Nicolau de Autrecourt, expandiram esta visão. A divisão resultante entre a fé e a razãoinfluenciou teólogos posteriores, como John Wycliffe, Jan Hus e Martinho Lutero.

A Renascença foi muito importante na expansão do escopo da investigação cética e do livre-pensamento. Indivíduos comoLeonardo da Vinci procuraram a experimentação como meio de explicação, e opuseram-se aos argumentos de autoridade religiosa. Outros críticos da religião e da Igreja durante este tempo incluíram Nicolau Maquiavel, Bonaventure des Périers eFrançois Rabelais.

Início do período moderno

A Essência do Cristianismo (1841), de Ludwig Feuerbach, seria de grande influência para filósofos como Engels,Marx, David Strauss, Nietzsche e Max Stirner. Ele considerava que Deus é uma invenção humana e que as atividades religiosas são usadas para a realização de desejos. Por isso, ele é considerado o pai fundador da moderna antropologia da religião.

As eras do Renascimento e da Reforma testemunharam um ressurgimento do fervor religioso, como evidenciado pela proliferação de novas ordens religiosas, confrarias e devoções populares no mundo católico e o aparecimento de seitas protestantes cada vez mais austeras, como os calvinistas. Esta era de rivalidade interconfessional permitiu uma abrangência ainda maior de especulação teológica e filosófica, muita da qual viria a ser usada para promover uma visão de mundo religiosamente cética.

A crítica do cristianismo tornou-se cada vez mais frequente nos séculos XVII e XVIII, principalmente depois do Sismo de Lisboa de 1755, e em especialmente na França e naInglaterra, onde parece ter existido um mal-estar religioso, de acordo com fontes contemporâneas. Alguns pensadores protestantes, como Thomas Hobbes, defendiam uma filosofia materialista e um ceticismo em relação às ocorrências sobrenaturais, enquanto que o filósofo judeu holandês Baruch Spinoza rejeitava aprovidência divina em favor de um naturalismo panenteísta. No final do século XVII, o deísmo passou a ser abertamente defendido por intelectuais como John Toland, que cunhou o termo "panteísta". Apesar de ridicularizarem o cristianismo, muitos deístas desprezavam o ateísmo. O primeiro ateu que se sabe ter jogado fora o manto do deísmo, negando de modo contundente a existência de deuses, foi Jean Meslier, um padre francês que viveu no início do século XVIII. Ele foi seguido por outros pensadores abertamente ateus, como oBarão d'Holbach e Jacques-André Naigeon. O filósofo David Hume desenvolveu umaepistemologia cética fundamentada noempirismo, enfraquecendo a base metafísica da teologia natural. Outros ateus que se destacaram no Iluminismo foram Denis Diderot e Jean le Rond d'Alembert, autores do Encyclopédie, documento que reunia todos os conhecimentos de até então.

A Revolução Francesa tirou o ateísmo e o deísmo anticlerical dos salões e colocou-os na esfera pública. Um dos principais objetivos da Revolução Francesa foi uma reestruturação e subordinação do clero em relação ao Estado através da Constituição Civil do Clero. As tentativas para aplicá-la levaram à violência anticlerical e à expulsão de muitos clérigos da França. Os eventos políticos caóticos da Paris revolucionária, acabaram por permitir aos jacobinos mais radicais tomar o poder em 1793, inaugurando o Reino do Terror. Os jacobinos eram deístas e introduziram o Culto do Ser Supremo como uma religião estatal da França. Alguns ateus próximos de Jacques Hébert procuraram estabelecer um culto da razão, uma forma de pseudo-religião ateia com uma deusa personificando a razão. Ambos os movimentos, em parte, contribuíram para as tentativas forçadas de descristianizar a França. O Culto da Razão terminou depois de três anos, quando a sua liderança, incluindo Jacques Hébert, foi guilhotinada pelos jacobinos. As perseguições anticlericais terminaram com a Reação Termidoriana.

A era napoleônica institucionalizou a secularização da sociedade francesa e exportou a revolução para o norte da Itália, na esperança de criar repúblicas flexíveis. Noséculo XIX, os ateus contribuíram para várias revoluções políticas e sociais, facilitando os levantes de 1848, o Risorgimento na Itália e o crescimento de um movimento socialista internacional.

Na segunda metade do século XIX, o ateísmo ganhou proeminência sob a influência de filósofos racionalistas e  livre-pensadores. Muitos proeminentes filósofos alemães da época negaram a existência de divindades e eram críticos da religião, incluindo Ludwig Feuerbach, Arthur Schopenhauer, Max Stirner,Karl Marx e Friedrich Nietzsche.

Século XX

O ateísmo no século XX, particularmente na forma de ateísmo prático, avançou em muitas sociedades. O pensamento ateu encontrou reconhecimento em uma ampla variedade de outras filosofias mais amplas, como oexistencialismo, o objetivismo, o humanismo secular, o niilismo, o positivismo lógico, oanarquismo, o marxismo, o feminismo[99] e o movimento científico e racionalista geral.

O positivismo lógico e o  cientificismopavimentaram o caminho para o neopositivismo, a filosofia analítica, o estruturalismo e o naturalismo. O neopositivismo e a filosofia analítica descartaram o racionalismo clássico e a metafísica em favor do empirismo estrito e do nominalismo epistemológico. Proponentes como Bertrand Russell, rejeitaram enfaticamente a crença em Deus. Em seus primeiros trabalhos, Ludwig Wittgenstein tentou separar a linguagem metafísica e sobrenatural do discurso racional. A. J. Ayer afirmou a inverificabilidade e a falta de sentido das afirmações religiosas, citando a sua adesão às ciências empíricas. Relacionado com esta ideia, o estruturalismo aplicado de Lévi-Strauss ligou a origem da linguagem religiosa ao subconsciente humano ao negar o seu significado transcendental. John Niemeyer Findlay e J. J. C. Smart argumentaram que a existência de Deus não é logicamente necessária. Naturalistas e monistas materialistas, tais como John Dewey, consideravam o mundo natural como a base de tudo, negando a existência de Deus.

O século XX também assistiu ao avanço político do ateísmo, estimulado pela interpretação das obras de Marx e Engels. Após a Revolução Russa de 1917, houve mais liberdade religiosa para as minorias religiosas, o que durou alguns anos. Embora a Constituição Soviética de 1936 garantisse a liberdade para realizar cultos, o Estado soviético, sob a política de Estado ateu de Stalin, não considerava a religião um assunto privado; o governo soviético ilegalizou o ensino religioso e promoveu campanhas para convencer as pessoas a abandonar a religião.Diversos outros estados comunistas também se opuseram à religião e promoveram o ateísmo estatal, incluindo os antigos governos socialistas daAlbânia, e, atualmente, da China, Coreia do Norte  e Cuba.

Outros líderes como Periyar E. V. Ramasamy, um proeminente líder ateu da Índia, lutaram contra o hinduísmo e os brâmanes por eles discriminarem e dividirem as pessoas em nome de castas e religião.  Tal foi sublinhado em 1956, quando ele erigiu uma estátua representando um deus hindu em uma representação humilde e fez declarações antiteístas.

Em 1966, a revista Time perguntava: "Deus está morto?", em resposta ao movimento teológico Morte de Deus, citando a estimativa de que quase metade de todas as pessoas no mundo viviam sob um poder anti-religioso e milhões mais na África, Ásia e América do Sulpareciam não ter conhecimento sobre o Deus único.

Em 1967, o governo albanês de Enver Hoxha anunciou o fechamento de todas as instituições religiosas no país, declarando a Albânia o primeiro estado oficialmente ateu, embora a prática religiosa na Albânia tenha sido restaurada em 1991. Estes regimes acentuaram as associações negativas do ateísmo, especialmente onde o sentimento anticomunista era forte, como nos Estados Unidos, apesar do fato de que ateus proeminentes serem anticomunistas.

Século XXI

Desde a queda do Muro de Berlim, o número de regimes ativamente anti-religiosos tem diminuído consideravelmente. Em 2006, Timothy Shah do Fórum Pew constatou "uma tendência mundial em todos os grandes grupos religiosos, na qual movimentos baseados em Deus e na fé, em geral, estão experimentando confiança e influência crescentes face aos movimentos e ideologias seculares". No entanto, Gregory S. Paul e Phil Zuckerman consideram isso um mito e sugerem que a situação real é muito mais complexa e matizada.

A motivação religiosa dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e as tentativas parcialmente bem-sucedidas do Discovery Institute para mudar o currículo de ciências das escolas estadunidenses para incluir ideias criacionistas, juntamente com o apoio dessas ideias pelo ex-presidente George W. Bush em 2005, desencadearam uma onda de publicações de conhecidos autores ateus como Sam Harris, Daniel C. Dennett, Richard Dawkins, Victor J. Stenger e Christopher Hitchens, cujas obras foram best-sellers nos Estados Unidos e em todo o mundo, movimento que passou a ser conhecido como Novo Ateísmo.

Um levantamento de 2010 descobriu que aqueles que se identificam como ateus ou agnósticos estão, em média, mais bem informados sobre religião do que os seguidores das religiões principais. Descrentes tiveram melhores pontuações respondendo a questões sobre os princípios centrais das fés protestante e católica. Apenas fiéis mórmons e judeus tiveram tão boas pontuações sobre religião quanto os ateus e agnósticos.

O Ateísmo 3.0 é um movimento dentro do ateísmo que não acredita na existência de Deus, mas que diz que a religião tem sido benéfica para os indivíduos e para a sociedade, e que eliminá-la é menos importante do que outras coisas que precisam ser feitas. 





Filosofia ; O Verdadeiro, O bom e o belo (Sobre a Comunidade )

Filosofia o bom o verdadeiro e o belo, surgiu com o intuito de passar a filosofia de vida de uma maneira simples e fácil sobre o entendiment...